Quinta-feira, 17.04.14

Este Benfica é de betão

Que grande jogo fez o Benfica!

Uma entrada fulgurante, a alta velocidade, que naturalmente empatou a eliminatória bem cedo.

Sempre em aceleração, não sabemos o que podia ter acontecido se tivessem ficado onze em campo mais de 27 minutos.

Siqueira fez um erro grosseiro, na sua segunda falta, mas não merecia o primeiro amarelo dado por Proença.

A expulsão mudou o jogo, que nunca mais foi o mesmo, e podia ter dado cabo do Benfica.

 

Podia, mas não deu.

Jesus tirou Cardozo, a equipa reequilibrou-se e voltou do intervalo ainda mais empenhada.

Às vezes, é quando estamos melhores que sofremos, e o golo de Varela foi uma surpresa desagradável.

De repente, tudo parecia perdido.

Havia uma montanha para escalar, 2 golos a marcar, com menos um jogador.

Só que este Benfica é de betão, duríssimo de demolir.

 

Só se ganha um penalty quando se joga na área do adversário, e era isso que o Benfica já estava a fazer minutos depois do empate.

Para a frente era o caminho, com força mental e atrevimento.

Enzo marcou com frieza, e a esperança voltou a nascer.

A Luz inflamou-se, puxou pela equipa, e o FC Porto acanhou-se, com a mediocridade habitual deste ano.

Mas, ninguém esperava o que aconteceu.

Todos admitiam um golo, mas nasceu uma obra de arte.

André Gomes mostrou que ali há génio, e afundou o FC Porto para sempre.

 

Uma vingança que estava prometida desde 2011, destruindo essa espinha que estava encravada na garganta dos benfiquistas.

Foi dos jogos mais fantásticos dos últimos anos, para os benfiquistas.

Vencer com 10 o FC Porto é obra!

Depois, aquilo não foi bem futebol, mas ninguém ajudou.

Pouco importa, estava ganho.

Um grande e forte Benfica derrotou um FC Porto neurótico e deprimido, sem força nem talento para mais.

Alguém disse um dia que para haver ambição é preciso haver primeiro talento, e depois confiança.

Este Benfica tem tudo: talento, confiança e ambição.

Veremos até onde chegam as suas vitórias, para depois poder dizer algo mais.  

Mas, uma coisa é já certa: Jorge Jesus, o Messias branco da Luz, já não está de joelhos.

 

Domingos Amaral às 12:24 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 16.04.14

O estranho "Perdoa-me" de Passos Coelho

Ontem à noite, Passos Coelho deu uma entrevista à SIC onde, entre outras pérolas, se saiu com uma espécie de "Perdoa-me".

A dada altura, o primeiro-ministro disse que "lamenta profundamente" a forma como a austeridade e o ajustamento prejudicou as pessoas.

Só faltou pedir desculpa, ou como antes se dizia no programa da SIC dos anos 90: "perdoa-me".

Sim, parecia um pedido de perdão, um lamento honesto, e por uns segundos quase fiquei tentado a acreditar que ele estava genuinamente arrependido de ter praticado tantas políticas erradas.

Porém, rapidamente perdi as ilusões.

Ao longo da entrevista, Passos Coelho mantém firme a sua crença que é preciso prejudicar ainda mais as pessoas, pois o que ele já fez não é suficiente.

E, com requintes de malvadez, lá vai dizendo que os cortes supostamente transitórios vão ser substituídos por outros, agora permanentes, e que serão isto e aquilo, mais ou menos, ele ainda não sabe bem, não leu os relatórios, mas sim haverá correções, etc, etc.

Ou seja, aquele "perdoa-me" é absolutamente falso.

Engane-se quem acha que Passos Coelho está a fazer isto tudo por causa da "troika". 

Nada disso, ele genuinamente acredita que a única maneira de o Estado gastar menos é cortar pensões, salários, e portanto prejudicar seriamente a vida das pessoas.

Para ele, não há outra forma, e isso é bom.

A questão que fica é: se ele acha que isso é bom, porque é que lamenta o prejuízo das pessoas?

Ele acha que é importante prejudicar as pessoas, porque o Estado lhes está a pagar demais.

Mas, se acha isso, porquê lamentar-se? Quem pensa ele que engana?

Na verdade, Passos Coelho está muito contente com o resultado do ajustamento, e não quer saber dos "danos colaterais" ou mesmo dos "danos primários".

Ele veio para provocar danos às pessoas, não para lhes dar mimos. E gosta de ser assim.

E é por isso que ele é tão popular em certas áreas da direita moral e da direita dos interesses.

Domingos Amaral às 11:55 | link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Segunda-feira, 14.04.14

A Ucrânia vai partir-se ao meio!

Tudo aponta para uma solução dividida: metade da Ucrânia, com capital em Kiev, fica do lado Ocidental.

Será a Ucrânia do Oeste, ou West Ucrânia.

O resto separa-se e será a nova Ucrânia de Leste, ou East Ucrânia.

O lado ocidental aprofundará as suas ligações à Alemanha e à Polónia, obrigando a União Europeia a defender o novo país, que talvez se integre no futuro no espaço europeu.

O lado oriental, de maioria russa, encostará ainda mais ao oriente, ao Império de Putin, tal como já acontece com a Bielorússia e outros satélites.

O problema mais grave, claro está, serão as pessoas.

Haverá famílias divididas ao meio, cidades divididas ao meio, e o que farão as pessoas que ficarem do lado de lá, ou de lado de cá, consoante o ponto de vista?

Será que ambos os lados conseguirão aceitar que há pessoas que podem querer passar de um lado para o outro?

A fronteira vai transformar-se num local perigoso, pois vai passar a ser aí que se vão travar as lutas.

A Ucrânia já é um palco de uma luta feroz e silenciosa, a luta entre a Alemanha e a Rússia.

Uma, a Alemanha, tem dinheiro, mas não tem armas.

Outra, a Rússia, tem armas, mas não tem muito dinheiro.

Nenhuma quer a guerra, mas ambas querem a Ucrânia, e portanto travarão a guerra por interpostas pessoas ou realidades.

Mas, como nem Europa nem América podem travar uma guerra na Ucrânia, Putin vai insistir e minar o frágil poder de Kiev.

Não há solução a não ser a divisão.

Uma federação ucraniana não duraria muito tempo, até rebentar.

As divisões são muito profundas, e até históricas, pois durante séculos existiram duas ucrânias diferentes.

É o mais provável que aconteça, e não deve durar muito.

Mas, até que isso aconteça, vamos ter preocupações, tiros, sangue, mortos e muitos distúrbios. 

Domingos Amaral às 10:52 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 11.04.14

Luís Castro é pior do que Paulo Fonseca?

Depois do descalabro do FC Porto ontem em Sevilha, a que Quaresma chamou "uma vergonha", a pergunta que se deve colocar é: foi boa ideia mudar de treinador?

Muitos adeptos e comentadores do FC Porto disseram que Paulo Fonseca era péssimo, e que já devia ter saído há muito tempo.

E quase todos eles elogiaram Luís Castro pela sua postura e pelas suas escolhas.

Porém, os números são implacáveis, e com 11 jogos realizados pelo FC Porto, a verdade é que Luís Castro apresenta piores resultados que o seu antecessor.

Se observarmos a percentagem de vitórias, onde cada empate vale metade de cada vitória, temos que em 11 jogos, Luís Castro tem 7 vitórias, 1 empate e 3 derrotas.

A percentagem de vitórias de Luís Castro é pois de 68,1%.

Ora, no momento em que saiu, Paulo Fonseca disputara 35 jogos com o FC Porto, tendo obtido 21 vitórias, 7 empates e 7 derrotas.

A percentagem de vitórias de Paulo Fonseca era de 70%.

Ou seja, era melhor do que a de Luís Castro é.

Valeu a pena despedir o treinador?

Não. 

Domingos Amaral às 12:06 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 09.04.14

Passos Coelho e o aumento do salário mínimo

De repente, quando nada o fazia prever, Passos Coelho mudou de ideias, e já quer aumentar o salário mínimo.

Depois de três longos anos a recusar tal ideia, a mudança abrupta de posição é surpreendente.

No passado, Passos sempre recusara os aumentos de salário mínimo com argumentos "ideológicos".

Não aumentava porque o aumento ia "criar desemprego"; não aumentava porque "um aumento prejudicava a criação de emprego"; não aumentava porque "um aumento ia provocar um aumento de todos os outros salários", que seriam empurrados para cima pelo mínimo.

Passos seguia a cartilha neo-liberal, as ideias de António Borges, do FMI, ou de Merkel, e defendia tais ideias com empenho.

Ainda há pouco mais de dois meses, ele negara qualquer subida do salário mínimo, mesmo depois dos parceiros sociais, empresários ou sindicatos, terem dito que apoiavam a subida, e mesmo depois do CDS ter defendido a subida.

Não, não e não, era a posição de Passos Coelho, nunca abrir essa discussão antes de 2015.

 

O que mudou então, para Passos Coelho mudar a sua decisão?

Todos os argumentos que ele apresentou antes, em defesa da manutenção do salário mínimo, continuam os mesmos.

O que mudou foi a posição da Alemanha.

Merkel, devido ao acordo com o SPD, foi obrigado a introduzir um salário mínimo na Alemanha, e logo que isso aconteceu, toda a Europa percebeu que o vento tinha mudado.

Quando a líder espiritual das políticas muda de ideias, os seus seguidores já podem também mudar de ideias.

Assim é Passos: se Merkel faz, ele faz, se Merkel não deixa, ele não faz.

Devem existir poucos Governos na Europa tão seguidistas de Merkel como o nosso.

Na prática, é ela que governa Portugal, e Passos não passa do feitor da quinta.

O que nos vale é que, desta vez, Merkel tomou uma boa decisão e Portugal vai beneficiar disso.

 

 

Domingos Amaral às 11:57 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 07.04.14

Ruin´arte: o Portugal em ruínas aos nossos olhos

Em Portugal, há milhares de edifícios abandonados, prédios a cair de podre, monumentos ao passado que se degradam aos nossos olhos.

Esquecemo-nos deles, ignoramo-los ou fazemos de conta que eles não estão lá.

Mas estão, e são parte de nós, da nossa memória, do nosso passado.

Gastão de Brito e Silva é um fotógrafo que passou os últimos anos da sua vida a captar as imagens desse Portugal em ruínas.

Ruin´arte é o blog onde mostra o seu trabalho, onde expõe centenas ou milhares de imagens desse Portugal abandonado.

É impressionante, olharmos para os lindíssimos edifícios das nossas cidades, ou campos, e vermos como foi possível aquilo chegar àquele estado.

Que desleixo, que incúria foi a nossa, como povo, para deixarmos o nosso Portugal assim?

Devia ser um projecto nacional de um governo, recuperar este Portugal perdido, este Portugal em ruínas.

Somos um país de deslumbrados com o que é novo, de novos ricos e parolos que só constroem coisas horríveis, enquanto em frente dos nossos olhos estão pérolas perdidas, sujas, destruídas em parte pelo tempo, e o que lhe fazemos?

Vale a pena olhar para o blog do Gastão de Brito e Silva, é Portugal no seu melhor e no seu pior.

Domingos Amaral às 11:15 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 04.04.14

As novas ideias da Samsung

Depois de várias experiências, com outras marcas, incluindo o iPhone, quando descobri o meu primeiro Samsung Galaxy, há quatro anos, fiquei maravilhado.

O meu Samsung era melhor do que os outros em tudo.

Mais rápido, mais eficiente, mais simples, e com mais rede em qualquer lugar.

Nunca mais quis ter outro telemóvel, e muito menos outro smartphone.

 

E, há coisa de um ano, quando a Samsung lançou o Galaxy 4, fiquei verdadeiramente deslumbrado com as novidades e potencialidades do aparelho.

Agora, chegou a hora do Samsung Galaxy 5, que no fundo é uma evolução do 4, com algumas novidades mas o mesmo aspecto geral, que é excelente.

 

Mas, a Samsung aposta também em novos produtos para usarmos com o telemóvel.

O Samsung Gear 2 é uma espécie de relógio, para usar no pulso, mas está sempre contectado com o seu smartphone, e podemos receber mensagens, chamadas, informações, enquanto estamos a correr, a fazer ginástica, ou outra coisa qualquer que nos apeteça.

Há outro modelo, como o Gear 2 Neo, em várias cores (laranja, cinzento, preto) e quase que aposto que esta moda vai pegar.

Por fim, e ainda mais requintado, há o Samsung Gear Fit, que é uma pulseira com um ecrã nítido, muito confortável, que nos permite receber imensa informação que vem do smartphone, e nos dá mais uns graus de liberdade na nossa vida, mantendo-nos sempre ligados.

 

Domingos Amaral às 09:58 | link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quinta-feira, 03.04.14

Quaresma é discriminado por ser cigano?

Ontem, Pinto da Costa veio dizer que Quaresma foi vítima de "insultos racistas", e por isso perdeu a cabeça.

Além disso, o presidente do FC Porto alegou que o jogador estava a ser prejudicado por ser cigano, pois muita gente não o queria ver na Seleção Nacional.

Terá razão?

Quanto à primeira parte, se houve ou não insultos racistas, não sabemos bem, mas pela forma como Quaresma perdeu a cabeça, é possível que tenham existido.

Porém, ele não agrediu ninguém, e confusão e gritos, não sendo bonitos de ver, não são comportamentos graves.

 

A segunda acusação de Pinto da Costa é mais séria.

Quaresma é discriminado na Seleção porque é cigano?

É essa a razão porque não é convocado?

Os preconceitos existem sempre, gostemos ou não deles, mas numa sociedade civilizada, e num desporto cuja organização internacional, a FIFA, tem o combate ao racismo como objectivo, seria inaceitável que Quaresma não fosse convocado só por ser cigano.

 

Como foi a história de Quaresma na Seleção Nacional até aqui?

Um pouco como a carreira dele, com altos e baixos, mas sem nunca assentar arraiais definitivos.

Nem com Scolari, nem com Carlos Queiroz, nem com Paulo Bento, ele se saiu muito bem.

Ao contrário de Ronaldo, Nani, Pepe, Coentrão, Moutinho, Rui Patrício ou mesmo Miguel Veloso, que começaram por ser jovens talentosos, mas acabaram titulares devido à sua consistência e compromisso, Quaresma nunca o conseguiu.

De vez em quando, lá apareciam uns fogachos na Seleção, mas rapidamente o jogador se eclipsava.

 

É evidente que, na sua carreira nos clubes, as coisas também não lhe saíram bem.

Com a excepção do FC Porto (da primeira vez e agora), Quaresma falhou quase sempre.

Falhou no Barcelona, no Chelsea, no Inter, e até no Besiktas, onde começou bem.

Quaresma, pode-se dizer, passou ao lado de uma grande carreira.

 

Muitos dizem que o que o estragou foi o seu comportamento, nos balneários, nos estágios, na vida privada.

Vaidoso, conflituoso, egocêntrico, mau colega, causador de distúrbios, foram tudo acusações que se ouviram.

Mas, terá sido mesmo assim, ou tudo não passou de um enorme e colossal preconceito contra um cigano?

Talvez um pouco das duas coisas.

O comportamento do jogador muitas vezes não foi o melhor, mas também acredito que muitas vezes ele foi prejudicado pelos preconceitos que existem contra os ciganos.

E é um pouco isso que se está a passar agora.

 

Parece-me evidente que, até Janeiro, o problema de Quaresma nem se colocava para Paulo Bento.

O jogador andava perdido pelas Arábias, e não contava.

Contudo, o regresso ao FC Porto e a sua excelente forma, mostraram que ele continua cheio de talento e energia.

Porque não convocá-lo?

Será que é assim tão complicado integrá-lo num grupo estável e bem liderado por Paulo Bento?

Por outro lado, na posição de Quaresma, falta-nos gente de qualidade.

Nani está lesionado e não sabemos se recupera, Danny não conta, Ivan Cavaleiro e Mané são muitos jovens, Bruma e Rafa estão fora de combate.  

Quem tem a seleção para aquela posição, além de Cristiano e Varela?

Pois é... 

Com falhas destas, seria uma aberração Quaresma ficar de fora do Mundial, e nesse caso eu próprio começaria a acreditar que há um preconceito claro contra ele, o que é grave.

Vamos esperar pelas convocatórias, para ver o que acontece.

Domingos Amaral às 10:54 | link do post | comentar | ver comentários (30) | favorito
Terça-feira, 01.04.14

De quem é a culpa quando desaparece um avião?

Se há coisa que me tem espantado nestas últimas semanas é a forma como o mundo inteiro, especialmente a China, tem criticado as autoridades da Malásia. 

Um avião desaparece e a culpa é do Governo da Malásia? 

Ao fim deste tempo todo, as pessoas já deviam ter percebido que estamos perante um dos maiores, senão o maior, mistério da aviação de todos os tempos.

Caiu, não caiu? Despenhou-se no mar, está escondido em terra?

Foram terroristas, foram os pilotos, foi acidente, foi atentado?

A verdade é que, até agora, ninguém tem a certeza de nada, ninguém pode jurar nada, embora seja provável que o avião tenha caído algures no Oceano Índico.

Porém, a forma como se têm apontado os dedos e culpado o Governo da Malásia é injusta e até um pouco absurda.

Eu compreendo o desespero dos familiares, mas também eles têm de se perguntar o que é o Governo da Malásia podia ter feito de diferente, e se isso serviria para alguma coisa?

 

Nos primeiros dias, e até semanas, as críticas ao Governo da Malásia eram que ele tinha sido lento e pouco informativo.

As pessoas, os familiares, a comunicação social, todos criticavam os malásios porque eles não tinham dito "tudo o que sabiam", e porque eram "desorganizados", e só revelavam informação dias depois de a conhecerem.

Como se algum governo do mundo revelasse a informação toda no primeiro dia, e como se eles não estivessem, como todo o resto do mundo, absolutamente no escuro!

Depois, quando se tornou mais evidente que o avião seguira para Sul, o Governo da Malásia veio dizer que quase certamente o avião se tinha despenhado no mar, e não havia sobreviventes.

Logo se levantou um coro de críticas!

Desta vez, a acusação aos malásios era a oposta: eles estavam a ser rápidos e precisos demais!

Como é que eles sabiam que o avião tinha caído, que todos tinham morrido?

Onde é que estavam as provas disso?

 

Os pobres dos malásios, que tiveram o azar e a infelicidade de isto lhes ter acontecido a eles, são criticados porque são lentos ou porque são rápidos, porque não informam ou porque são concisos, porque sim e porque não.

Como se eles tivessem culpa do avião ter desaparecido, e de não ser encontrado!

 

Na verdade, o que me parece afectar todo o mundo, é uma extraordinária arrogância tecnológica.

Seja na China, seja na América, seja em Portugal, ninguém parece aceitar que um mundo onde existem GPS, telemóveis, computadores avançados, ping, satélites, e mil e uma outras maravilhas da tecnologia, um avião possa desaparecer!

É como se fosse inconcebível para o moderno ser humano, habituado a Ipads, youtubes, apps, e GPS no carro, que um avião possa eclipsar-se da nossa vista.

Nós não acreditamos que isso possa acontecer porque isso é uma quebra de confiança brutal na tecnologia e na ciência!

Somos o mundo onde a ciência e a tecnologia se aproximam da perfeição e agora acontece-nos esta desfeita?

 

O Titanic também não podia afundar e afundou. 

O avião mais seguro e moderno não podia desaparecer e desapareceu.

Nós não sabemos tudo, e a nossa civilização, por mais gadgets que faça, continua a falhar.

É uma lição de humildade.

Domingos Amaral às 11:59 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 27.03.14

Um Audi A6 não é viver acima das nossas possibilidades?

Há algumas coisas que me causam perplexidade nesta ideia de oferecer Audis A6 e A4 às pessoas que pedem facturas com o nº do contribuinte.

A primeira perplexida é moral.

Este Governo passou 3 anos a dizer-nos que não podíamos "viver acima das nossas possibilidades".

Disse-nos que não era possível "gastar mais", que tínhamos de "poupar", e ajustar as nossas despesas.

Eram precisos sacrifícios em nome do país.

E agora oferece Audis A4 e A6 às pessoas?

 

Um Audi A6 não é um Audi A1, nem sequer A3.

Um Audi A6 é um carro de administradores de grandes empresas.

E agora vamos dá-lo à Dª Adelaide, ou ao Sr. Joaquim, que vencem o sorteio?

E não é isso uma aberração moral para quem diz que não podemos viver acima das nossas possibilidades?

Um Audi A6 consome muito, é muito caro. 

Não causa estranheza que o mesmo Governo que nos disse que não podíamos viver assim, agora nos venha oferecer Audis A6, para que nós possamos viver "acima das nossas possibilidades"?

 

Mas, tenho mais duas perplexidades sobre esta questão.

Então não era suposto o Governo não estimular a importação de bens caros, para que o nosso deficit comercial diminua?

E vai-se comprar Audis, que são importados, aumentando o deficit comercial?

Não haverá aí uma contradição simbólica entre o que é o discurso nacional do Governo, todo ele de promoção às exportações e diminuição às importações, e a oferta de Audis importados?

Não havia bens portugueses que se pudessem oferecer às pessoas?

Não podia ser dinheiro?

 

A terceira perplexidade é esta: se a ideia era oferecer carros, porque se escolheram carros alemães?

Tem o Governo algum pacto especial e secreto com os fabricantes alemães?

Não podiam ser carros italianos, ou franceses, que são bem mais baratinhos?

Os Audis são exportações alemãs, e importações portugueseas.

Ou seja, estão a aumentar o excedente comercial da Alemanha e a aumentar o deficit comercial português.

Mas não era precisamente o contrário disso que o Governo desejava?

Será que a subsverviência total à Alemanha já chegou ao ponto de eles nos obrigarem a comprar carros deles para oferecer ao nosso povinho bem comportado?

 

 

Domingos Amaral às 11:52 | link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
 

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