Quarta-feira, 20.05.15

Sessões de autógrafos dos meus livros

No próximo mês, vou andar em "tournée", ou "on the road" para promover o meu novo livro, "Assim Nasceu Portugal"

Hoje, vou estar em duas sessões de autógrafos, ambas em lojas dos CTT, que tem sido um excelente apoio na promoção dos meus livros.

Às 14.30, vou estar na Loja dos CTT de Cabo Ruivo, na Avenida Marechal Gomes da Costa. 

E às 17h, vou estar na Loja dos CTT das Amoreiras, no centro comercial com o mesmo nome.

A quem quiser e puder passar passar por lá, terei todo o gosto de assinar os livros.

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publicado por Domingos Amaral às 10:46 | link do post | comentar
Terça-feira, 19.05.15

Um belo fim de semana no Zmar

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Não conhecia, mas fiquei a gostar muito do Zmar.

É um eco-resort na costa alentejana, perto do Cabo Sardão, onde passei um belo fim de semana com a Sofia e as minhas duas filhas mais novas, Leonor e Luz. 

O Zmar tem muito com que nos entreter. Além das villas e dos challets de madeira, bonitos e bem integrados na natureza, a cheirar ainda a pinho, há variados programas que podemos fazer.

Uma piscina de 100 metros, onde se pode nadar à vontade; e uma piscina com ondas, que faz as delícias das crianças, são apenas o ponto de partida.

Além disso, há um spa, ou mais concretamente um Zpa; há massagens e yoga; há tenis e padel; há hidroginástica e tiro com arco; há bicicletas e karts a pedais; há peddy paper, arvorismo e passeios de buggy.

Enfim, cercados por verdes paisagens, lagos e animais, é possível passar momentos muito agradáveis, e no final do dia ainda ter um belo jantar na tenda de chill-out.

Se não conhecem ainda, vale a pena meterem-se no carro, irem até à Zambujeira do Mar, e marcar uma estadia no Zmar.  

publicado por Domingos Amaral às 15:55 | link do post | comentar
Segunda-feira, 18.05.15

Jesus é o grande vencedor do ano

Este campeonato foi aquele em que o dedo do treinador mais se sentiu.

No início do ano, Jesus foi confrontado com uma debandada geral.

Em poucos meses, partiram Garay, Siqueira, Rodrigo, Cardozo, Markovic, Oblack, André Gomes, e pouco tempo depois, Enzo Pérez.

A sombra da falência do BES pairava sobre a Luz, e muitos diziam que o Benfica estava a perder pedalada. 

 

Entretanto, a Norte, o FC Porto reforçava-se como há muito não o fazia.

Quando o campeonato arrancou, não havia uma alma que não dissesse que os azuis tinham a melhor equipa.

Incluindo eu, que me costumo guiar pela regra da maior despesa salarial.

Quem gasta mais em salários, costuma ser campeão.

Foi isso que aconteceu nas últimas nove temporadas, e previ que o FC Porto era o principal favorito. 

 

Porém, este ano não foi isso que aconteceu.

Mesmo com um plantel com menos talento, mesmo com o grande investimento dos dragões, Jesus conseguiu equilibrar a equipa e levá-la ao bicampeonato.

É um feito enorme, que mostra que Jesus não é apenas bom treinador quando tem a melhor equipa, mas também consegue grandes obras quando une os jogadores num único propósito.

E, este ano, o objectivo era o bicampeonato, não era a Europa.

Por isso, quando saímos da Champions, pressenti que havia um caminho definido, e acreditei que o Benfica se ia concentrar e chegar à meta à frente.

 

É verdade que, em certos momentos, foi preciso ser pragmático, e não encantador.

Mas, os campeões são os que são melhores que os outros, e a maior parte das vezes não são equipas-maravilha.

Este Benfica foi melhor que os rivais, e por isso foi campeão.

Ainda ontem se viu a fragilidade de Lopetegui e dos seus jogadores.

Quem não consegue ganhar na Madeira ao Nacional, e no Restelo ao Belenenses, não se pode queixar.

 

Jesus teve a experiência e a calma para tudo aguentar: a perda de jogadores, o desencanto europeu, a eliminação da Taça de Portugal, a pressão sobre os árbitros, os insultos e as intrigas tolas de Lopetegui.

A tudo reagiu com serenidade, e nunca se desconcentrou.

Este ano, provou que está um grande treinador, e sobretudo, um grande homem.

Parabéns para ele.

 

Uma palavra final para alguns jogadores que se destacaram.

Júlio César, a calma imperial na baliza, acabou com as angústias lá atrás.

Talisca, pela primeira parte do campeonato, onde resolveu vários jogos.

Gaitan, pela magia que sempre dá ao jogo.

 

Mas, há dois que foram os meus heróis este ano.

Jonas, um espectáculo de técnica e inteligência, um goleador de grande qualidade que muito brilhou.

E, por fim, o patinho feio, um central de quem eu muito desconfiava e que me conquistou: Jardel.

Pela tranqulidade, pelo empenhamento, pela força mental e pela segurança.

 

Há poucos centrais que podem dizer que fizeram um campeonato inteiro e apenas levaram 3 amarelos (!), e ainda marcaram vários golos absolutamente essenciais, como o de Alvalade.

Para mim, Jardel foi o melhor central do campeonato, e o jogador que mais se valorizou.

Parabéns para ele, e para todos os outros também.   

publicado por Domingos Amaral às 12:28 | link do post | comentar
Terça-feira, 12.05.15

O meu novo livro: "Assim Nasceu Portugal"

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É o meu novo livro, e a partir desta semana está à venda nas livrarias portuguesas.

Chama-se "Assim Nasceu Portugal", foi um livro que me deu um enorme prazer escrever, e cuja história atravessa a infância e a adolescência de um dos meus heróis, o nosso primeiro rei, Afonso Henriques.

 

Entre assassinos e princesas mouras, nobres galegos e rainhas leonesas, portucalenses de boa cepa que desejam a independência e misteriosas bruxas que vivem em cavernas, explicam-se as razões para a luta feroz entre Afonso Henriques e sua mãe, a condessa Dona Teresa.

 

Na Páscoa de 1126, em Viseu, o príncipe Afonso Henriques conhece uma bela rapariga galega, de seu nome Chamoa Gomes, por quem se apaixona perdidamente. Contudo, sua mãe, a condessa Dona Teresa, regente do Condado Portucalense, irá proibir aquele casamento, pois Fernão Peres de Trava, seu amante, não admite que o príncipe se enlace com sua sobrinha Chamoa.

 

A fúria de Afonso Henriques é imensa. Zangado com a mãe, arma-se a si próprio cavaleiro, na Catedral de Zamora e recusa prestar vassalagem ao novo rei de Leão, Castela e Galiza, o seu primo Afonso VII. 

Depois, começa a liderar os portucalenses de Entre Douro e Minho, entre os quais Egas Moniz e seu irmão Ermígio Moniz, que vivem revoltados com a influência do Trava e as decisões de Dona Teresa. 

 

Cresce a convulsão no Condado Portucalense e todos são arrastados por ela. Nobres e almocreves, amigos e conselheiros, mulheres e trovadores, pais e filhos, envolvem-se num conflito sangrento, que terminará com a inevitável batalha de São Mamede, em Guimarães. 

 

Durante esses anos turbulentos, instalam-se em Soure os templários, e o seu mestre, o velho cavaleiro Gondomar, procura uma relíquia sagrada que o pai de Afonso Henriques, o conde Henrique, trouxe um dia da Terra Santa, e cujo esconderijo só é conhecido por uma misteriosa bruxa.

 

Entretanto, em Coimbra, as princesas mouras Fátima e Zaida, e a sua mãe Zulmira, que estão prisioneiras dos cristãos, agitam-se com a notícia de que um famoso guerreiro sarraceno as virá resgatar, enquanto um assassino implacável as tenta matar, a mando do califa almorávida de Marraquexe, que teme que aquelas três mulheres ressuscitem o antigo califado de Córdova. 

 

 

publicado por Domingos Amaral às 11:31 | link do post | comentar
Quarta-feira, 22.04.15

As ideias do PS são bem boas

Ontem, um grupo de economistas socialistas apresentou várias propostas.

O PS, disse António Costa, quer virar a página da austeridade, fazer crescer o PIB e o emprego.

Pela minha parte, só posso aplaudir.

 

A austeridade bruta deste Governo foi desastrosa.

A destruição de valor a que assistimos nos últimos 4 anos foi tremenda.

O PIB português desceu muito, o desemprego cresceu, a miséria aumentou, a emigração explodiu, a natalidade caiu a pique.

Tudo coisas más.

 

O controle do deficit pela via do corte da despesa, pela quebra dos salários e pensões, provocou um choque recessivo violento, que fez muito mal à economia portuguesa.

E tudo isto para quê?

Para descer a taxa de juro da dívida pública.

E é verdade, a taxa desceu.

Porém, a dívida total do país cresceu muito.

Há quatro anos, era de 160 mil milhões de euros, hoje é de 230 mil milhões de euros. 

Estranho, não é?

 

Sinceramente, parece-me que havia outros caminhos, bem melhores, que não provocavam tanta destruição económica.

E é isso que o programa do PS vem dizer, e bem.

Se aumentarmos o rendimento dos portugueses, repondo os cortes salarias, as pensões, a despesa do Estado, damos um estímulo à economia.

E com esse crescimento económico aumentamos as receitas fiscais, e reduzimos o deficit, o desemprego e a miséria. 

 

Eu acredito que esse é o melhor caminho, bem melhor que o actual.

Até porque há uma coisa que o PS diz que me parece importante.

O PS não propõe uma descida forte do IRS.

Apenas ligeiras melhorias, daqui a um ou dois anos.

 

Ou seja, o que o PS nos está a dizer é que prefere um Estado mais forte, mas que o temos de pagar.

Infelizmente, este Governo deu-nos um Estado mais fraco, mas obrigou-nos a pagar impostos altíssimos.

Isso é que não faz sentido. 

 

O que tivemos com este Governo foi merda cara.

Ficámos com Estado que faz merda (na justiça, na educação, na saúde, na administração fiscal), e pagamos essa merda caríssima (impostos muito altos). 

Portanto, entre ter uma coisa boa e cara, e uma merda cara, eu prefiro a primeira opção.

 

 

 

 

 

 

publicado por Domingos Amaral às 11:47 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Sexta-feira, 20.03.15

Salgado e a diferença entre a falência do GES e a falência do BES

Ontem, ao ouvir Ricardo Salgado, e depois de 100 dias de comissão de inquérito, fiquei com a absoluta certeza de que a responsabilidade pela falência do GES (Grupo Espírito Santo) é da família que o geria, com Salgado à cabeça.

Há anos que havia dívida a mais, maus negócios, um desastre angolano e uma fuga para a frente permanente.

O GES faliu porque a família e Salgado falharam rotundamente na gestão, disso não há qualquer dúvida.

 

Porém, o mesmo não se aplica ao BES. 

Enquanto no GES as responsabilidades da família não têm de ser partilhadas com ninguém, no BES há mais responsáveis.

Durante um ano, era possível o Banco de Portugal, o Governo e a troika terem actuado e salvo o BES.

Ricardo Salgado podia e devia ter sido removido da presidência do BES, provavelmente ainda em 2013, depois do presente do construtor civil ou da declaração de IRS que teve de ser corrigida.

Esse teria sido o momento ideal para alterar o rumo do BES, e se o tivessem feito, o descalabro não teria acontecido.

 

Porém, durante um longo ano, o Banco de Portugal, o Governo e a "troika", mesmo sabendo do descalabro, deixaram Salgado continuar à frente do BES.

Aprovaram um aumento de capital vergonhoso, e prometeram que não iam deixar cair o banco, incluindo ao próprio Salgado, como se prova pelas cartas conhecidas ontem.

Mesmo depois disso, ainda podiam ter evitado o descontrole nefasto que atingiu o BES em Julho.

Não o fizeram porque não quiseram, e por isso são também responsáveis pela falência do BES, e pelo abalo sísmico que o sistema financeiro português sofreu.

Esta nefasta história podia e devia ter terminado de outra forma. 

publicado por Domingos Amaral às 09:59 | link do post | comentar
Terça-feira, 17.03.15

Ulrich e a falência vergonhosa do BES

Finalmente, alguém foi à comissão de inquérito do BES dizer a verdade.

A prestação de Fernando Ulrich, ainda a decorrer, tem sido uma pedrada no charco da podridão que se instalou em Portugal nos últimos meses. 

O país da propaganda maravilhosa da "troika", como diz Ulrich, foi miserável na forma como lidou com o drama financeiro de um dos seus bancos privados mais importantes.

Ulrich tem sido arrasador: para a troika, para o governo, para o Banco de Portugal, para todos.

E o pior é que tem razão em quase tudo.

Hoje caíram finalmente e com estrondo vários mitos sobre o BES, graças a Ulrich, e todos deveríamos agradecer a sua honestidade e coragem.

 

O Mito de que ninguém sabia da dimensão do buraco do BES

É um mito falso. Todos sabiam. Sabia o governo, sabia Passos, sabia Vítor Gaspar, sabia o governador do Banco de Portugal, sabia a troika.

Todos, sem excepção, estavam informados sobre a gravíssima situação do BES.

E deixaram o banco entrar em colapso, sem fazer o que devia ser feito.

Desde meados de 2013 que Salgado devia ter sido afastado mas não foi, e desde finais de 2013 que o BES podia e devia ter sido salvo e não foi.

É absolutamente miserável que os poderes públicos portugueses e europeus tenham deixado acontecer a tragédia que aconteceu, sabendo de tudo há pelo menos um ano.

 

 

O Mito de que a "Troika" foi surpreendida.

É mais uma falsidade.

A "troika" sabia perfeitamente o que se estava a passar.

No entanto, o importante era Portugal sair do programa de ajustamento.

A propaganda da "troika", o caso de sucesso português era o essencial, o BES que se lixasse.

É evidente pelas declarações de Ulrich que houve um desejo intencional de branquear a situação até Maio, para que a troika pudesse sair de Portugal.

 

O Mito do Aumento de Capital Salvador. 

Como Ulrich bem diz, o aumento de capital do BES em 2014 nunca devia ter existido.

Foi uma vergonha um sistema financeiro ter aprovado um aumento de capital de um banco cuja situação era desastrosa.

Os accionistas foram violentamente prejudicados e as perdas de valor foram brutais.

Como é possível o Banco de Portugal ter aprovado um aumento de capital do BES quando já sabia que Salgado iria sair?

O prospecto do aumento de capital não informava sobre a saída de Salgado, mas todos, incluindo o Banco de Portugal, a troika e o governo sabiam que ela se ia dar mal o aumento de capital terminasse.

Ou seja, todos contribuíram para o brutal engano que essa operação foi.

Uma vergonha.

 

O Mito da Resolução como única solução possível.

Como Ulrich explicou, a "resolução" do BES foi uma péssima solução de recurso.

O Governo de Passos impediu outras possibilidades (nacionalização, empréstimo da troika, bail-in à Chipre).

A resolução é uma solução perigosa, e faz os outros bancos pagarem pelo desastre que não causaram.

Como Ulrich bem diz: "jogaram à roleta com o sistema financeiro português".

Veremos o que se vai passar em Agosto, quando forem conhecidas as propostas de compra do Novo Banco, e veremos se não haverá mais cataclismos financeiros.

 

Em conclusão: Ulrich falou e hoje tornou-se mais claro o que eu aqui escrevi no ano passado.

O Governo, o Banco de Portugal e a "troika" foram desastrosos no caso BES.

Com gente competente e séria nesses cargos, Salgado há muito que teria saído de cena, e o colapso do BES teria sido evitado. 

Mas, a propaganda do país das maravilhas é o que é. 

 

 

 

 

 

 

publicado por Domingos Amaral às 13:37 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Quarta-feira, 11.02.15

Champions da semana: Platão-Beethoven e Merkel-Tsipras!

Hoje é o dia do primeiro round do grande Alemanha - Grécia.

Poucos países europeus poderiam proporcionar um combate tão épico, e com tantas ressonâncias históricas e culturais. 

A Grécia, berço da Europa, contra a Alemanha, o país maior e mais rico.

Na cultura, por exemplo, trata-se de um fundamental combate entre a música clássica alemã e a filosofia grega.

Quem foi mais importante para a Europa?

É difícil de dizer, mas os quartos de final de uma liga dos Campeões cultural entre alemães e gregos são entusiasmantes.

 

Imaginem: um primeiro jogo entre a música de câmara de Bach e a Alegoria da Caverna de Platão.

Pela minha parte, é Bach 0 - Platão, 2.

E que tal um Sócrates - Beethoven? O Método Socrático contra a 9ª Sinfonia.

Aposto num Sócrates, 1 - Beethoven, 2.

O terceiro jogo, também ele épico, é entre Mozart e Aristóteles. A Flauta Mágica defronta a Lógica.

É um grande jogo, o mais disputado, mas Aristóteles acabará por vencer nos penalties.

Por fim, temos um Wagner - Xenofonte, onde o alemão ganhará vantagem, vencendo por 4-0, devido à grande cavalgada das Valquírias!

 

Nas meias-finais, teríamos dois grandes combates de Titãs: Platão versus Beethoven e Aristóteles contra Wagner!

Caramba, isto é que seria uma Champions cultural a sério!

Porém, na vida real não teremos alta cultura, mas sim boxe financeiro entre a Alemanha e a Grécia.

Na reunião do Eurogrupo, vão defrontar-se frontalmente o sr. Schauble, ministro das finanças da Alemanha, e o sr. Varoufakis, o responsável pela mesma pasta da Grécia.

 

A assistir, além do mundo inteiro, estarão os outros 16 ou 17 países do euro (não tenho bem a certeza quantos são, há sempre alguém a entrar...), que vão ouvir os argumentos de um lado e de outro, e depois dar pontuações.

Vantagem Schauble, ponto para Schauble, ponto para Varoufakis, grande serviço do grego, punch de direita de Schauble, upppercut, ponto para Schauble, etc. 

Enfim, será apenas o primeiro round, mas há muito tempo que na Europa não se assistia a um combate tão fascinante.

 

E no dia seguinte, o segundo round será ainda mais intenso, com a subida ao ringue de Merkel, a toda poderosa e campeã da Europa durante seis anos consecutivos, e o challenger Tsirpas, cheio de genica e pinta!

Cá estaremos todos, para ver. Merkel versus Tsipras é quase tão emocionante como uma final cultural entre Beethoven e Aristóteles.

Se bem que, se fosse um Platão-Wagner, era outra loiça, outro gabarito! 

 

publicado por Domingos Amaral às 10:33 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Segunda-feira, 09.02.15

O Syriza e os deuses gregos

Ontem, enquanto esperava pelo derby, revi o filme "Tróia", que passou na RTP 1.

De repente, dei por mim a pensar nos deuses gregos, na mitologia antiga, e se ela nos pode ajudar neste momento de crise entre a Grécia e a Europa.

Irá Zeus apoiar Alexis Tsipras, como fez com Aquiles e Agamêmnon, possibilitando a queda de Tróia?

 

Quem será Varoufakis nesta história?

Pátrocolo, o amigo de Aquiles? 

Varoufkis mais pinta que isso, com aqueles casacos negros, tipo Manchester nos anos 90.

E também não creio que ele se vá disfarçar, como Pátrocolo fez, o que levou Heitor a matá-lo por engano, pensando que era Aquiles.

Não é provável que Varoufakis coloque uma peruca, e ainda menos que Schauble mate alguém, sobretudo por engano.

 

Mais importante ainda, é saber qual o calcanhar de Aquiles da Grécia no presente.

Aquiles era um guerreiro fabuloso, pois a sua mãe mergulhara-o na água de um rio mágico.

Só que a pobre mãe pegara-o por um dos calcanhares, que por isso não conseguiu molhar, e Aquiles ficou vulnerável nesse ponto. 

Bem, a Grécia actual não é nenhum Aquiles, forte e invulnerável, pois está cheia de problemas.

Mesmo assim, tem um calcanhar frágil.

Os bancos, de onde o dinheiro foge, são o elo mais fraco do país, e pode ser por aí que a Grécia se vá perder.

 

 

Mas, atenção: antes de ser morto, Aquiles matou Heitor! 

E, pelo caminho, os gregos destruíram a orgulhosa Tróia!

Será a saída da Grécia do euro o principio do fim da União monetária?

Toda a gente acha que não, os gregos que se lixem, nós continuamos sem eles, é o que se diz em Berlim.

Pois...Também ninguém acreditava que Tróia ia cair e foi o que se viu. 

Embora, convém lembrar, a guerra tenha durado dez anos...

Como ainda só vamos em quinze dias, temos tempo.

 

E terão Tsipras e Varoufakis na manga um cavalo de Tróia, com que iludam a Europa?

A ideia, ao que parece, terá sido de Ulisses, o rei de Ítaca e protagonista da Odisseia, que se diz ter dado o nome à cidade de Lisboa. 

Ligações a Portugal, ajudando os gregos? Com o que tenho ouvido dizer ao nosso governo, o Ulisses vai ser outro.

O mais provavel é aparecer um aliado vindo da Rússia, para a Grécia minar a Europa.

Tsipras pode sempre pedir dinheiro a Putin, o que deixaria a Europa muito irritada.

Contudo, esse seria um cavalo de Tróia um bocado burro. 

 

E será a bela Helena de Tróia alguma ministra do Syriza, que nós por agora ainda desconhecemos?

A pobre Helena apaixonou-se por Páris, que a roubou ao marido grego, o zangado Menelau.

Foi por isso que a guerra começou, e que os gregos se enfureceram com os troianos. 

Contudo, por mais que a gente puxe pela imaginação, não se vê nenhuma Helena na jogada.

Mulheres por quem valha a pena matar e morrer?

Nada disso: a querela entre a Europa e a Grécia não tem paixões dessas.

É sobre dinheiro, nada mais. Dívidas e coisas assim. 

 

Merkel, Hollande, Draghi, não estão à altura de um Heitor, de um rei Príamo, de uma Afrodite!

Merkel como deusa do amor é uma visão verdadeiramente horripilante!

E mesmo Tsipras e Varoufakis, ainda terão de penar muito para chegarem perto de um Ajax, já para não falar nos mirmidões ou em Aquiles. 

A verdade é que é difícil gerar heróis mitológicos com deficits orçamentais e dívidas públicas, essa é que é essa.

Um futuro Homero terá enormes dificuldades para escrever uma nova Ilíada. 

 

 

 

publicado por Domingos Amaral às 11:02 | link do post | comentar
Sexta-feira, 06.02.15

David contra Golias, ou o Syriza contra uma hidra europeia com muitas cabeças

A luta entre o Syriza e a Europa é uma espécie de David contra Golias.

De um lado está um partido que nem sequer teve a maioria absoluta dos votos nas eleições, e que governa agora um país pequeno, que vale cerca de 2,5% da economia europeia. 

Do outro está uma hidra de muitas cabeças: a troika, o BCE, a Comissão Europeia, o FMI, a Alemanha, o Eurogrupo onde estão representados os outros 17 países do euro, etc. 

Não seria de esperar que o David, em menos de duas semanas, conseguisse obter grandes vitórias, e muito menos aquilo que defendeu em campanha eleitoral, onde na Grécia, tal como cá, se dizem muitas coisas só para ganhar!

 

Passos Coelho, por exemplo, na campanha eleitoral prometeu acabar com a austeridade, não descer salários nem pensões, e não aumentar os impostos. Depois, fez tudo ao contrário.

Para ganhar as eleições, diz-se muita coisa, e o Syriza fez o mesmo: perdão da dívida grega, fim da austeridade, subida geral dos salários, etc. 

Portanto, há sempre que dar um desconto nestas coisas: o que se diz em campanha, serve para tomar o poder. Depois, há que perceber o que se pode ou não fazer.

 

É pois normal que, ao longo destas primeiras duas semanas, o Syriza tenha anunciado algumas medidas que quer levar à prática (subida do salário mínimo, suspensão de duas privatizações, etc), e ao mesmo tempo deixado cair pelo menos uma das suas bandeiras, o perdão de metade da dívida grega. 

Isso só mostra que, apesar de querer mudar algumas políticas internas, o Syriza tem flexibilidade para compreender que não pode pedir loucuras aos seus parceiros europeus, nem subverter todas as regras da União.

 

Para já, parece-me que o Syriza marcou pontos na operação de charme que fez em várias capitais europeias. Em Londres, Paris, Roma, conseguiu algumas declarações simpáticas dos governantes locais. 

É verdade que na Alemanha não foi assim, mas também ninguém esperava que Schauble o recebesse com palmadinhas nas costas e de braços abertos.

 

Já quanto ao BCE o caso fia mais fino. 

A decisão do BCE em deixar de aceitar a dívida grega como colateral foi um golpe sério nas intenções do Syriza, aumentando o perigo de não existir acordo.

Porém, logo no dia seguinte, talvez com um pouco de sentimento de culpa, e certamente com vontade de não lançar demasiadas achas para a fogueira, o BCE fez saber que a ajuda de emergência aos bancos gregos pode ser usada, e há 60 mil milhões à disposição para qualquer eventualidade. 

Ou seja, deu um golpe forte, mas 24 horas depois tentou suavizá-lo. 

 

Como seria de esperar numa negociação entre um David e um Golias, ou mesmo vários Golias, é óbvio que o Syriza terá sempre muitas dificuldades, mas não me parece de todo impossível que possa existir um acordo entre todos.

É claro que o Syriza terá de ceder em algumas áreas, mas se conseguir uma folga para esbater a austeridade interna, se conseguir acabar com a instituição "troika", negociando diretamente com as partes, e se conseguir uma extensão dos prazos de pagamento da dívida, já será um bom feito.

 

É preciso recordarmos que este é apenas o início de um longo processo de negociações, um processo que não termina com o primeiro passo, um acordo para o programa de assistência, mas que se vai prolongar por vários meses, ou mesmo anos.

É evidente que este momento inicial é importantíssimo, mas é apenas a primeira de muitas batalhas, e não julgo que se vá poder dizer que o Syriza foi derrotado ou vencedor. 

Na Europa, as negociações são permanentes, não uma questão de tudo ou nada. 

Como dizem os chineses, uma longa jornada começa com o primeiro passo.

Se o Syriza conseguir que a Europa dê um primeiro passo em direção a uma mudança de políticas, já será muito bom.

publicado por Domingos Amaral às 11:13 | link do post | comentar
 

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