Segunda-feira, 06.07.15

A Europa ainda é uma deusa grega?

Europa era uma deusa grega, que Zeus, o mais importante dos deuses do Olimpo, raptou um dia, por ela ser tão bela. Disfarçado de touro branco, Zeus levou Europa para uma ilha, e depois de regressar à sua forma divina, os dois apaixonaram-se e tiveram três filhos.

 

Porém, o pai de Europa, desgostoso, nunca encontrou a filha, e diz-se que vagueou por muitas terras, continente fora. A sua busca levou-o a locais que hoje conhecemos como Alemanha, França ou Itália, à procura de Europa, e foi por isso que o continente ganhou esse nome tão bonito.

 

Mas será que a Europa dos nossos dias ainda é uma deusa grega?

Não parece. As escandalosas declarações de alguns políticos europeus, o "bullying" financeiro que fizeram nas últimas semanas, a campanha indecorosa pelo "Sim" de quase todos os governantes europeus, mostram-nos que há uma fúria anti-grega difícil de aceitar ou compreender.

 

Com grande coragem, os gregos rejeitaram a continuação na estrada da austeridade, que não leva a lado nenhum. Porém, não creio que o resto da Europa tenha percebido a ideia. 

As declarações acintosas, de mau perder, e as proclamações de desprezo e promessa de mais dureza negocial, são um mau indicador do que aí vem. Pelos vistos, a Europa não tem nada de deusa grega.

 

Pelo contrário, parece um médico louco, que continua a receitar ao doente o mesmo tratamento, sem notar que ele está cada vez pior.

- Sr. doutor, estou a tomar isto há cinco anos, e não melhoro, pelo contrário. As dores são insuportáveis. Não devia mudar de remédio?

- Ahn? Pois...continue a tomar esses remédios e volte cá para o ano.

 

Foi contra esta inenarrável estupidez que os gregos se revoltaram, e por isso disseram "Não" de forma límpida e serena. Mas, os médicos continuam loucos, e na ausência de uma voz dissonante que os leve de volta à lucidez, nada mudará.

Memso quando os sinais de disponibilidade da Grécia são permanentes. A saída de Varoufakis, que lamento porque gosto dele, é mais uma demonstração de vontade de negociar.

 

Demitindo o seu ministro das Finanças, Tsipras acaba de dizer ao Eurogrupo que não serão o feitio e a personalidade de uma pessoa, seja ela quem for, que impedirão um acordo.

Todos os que diziam que o Syriza tinha uma estratégia óbvia de saída do euro devem agora reformular o argumento. Mais vontade de ficar no euro é difícil.

 

O problema não é, nem nunca foi, o que os gregos querem. O problema é o que os europeus não aceitam.

Há cinco anos que na Europa se repete o dogma de que austeridade é a única saída da crise. Como se fosse uma questão de fé, religiosa e inabalável. 

Ora, discutir com fanáticos é quase impossível.

 

Se os líderes europeus, e as suas instituições, não estão dispostos a mudar de rumo, e a experimentar uma abordagem nova e diferente, não há grande futuro.

Nem para a Grécia, nem para a Europa do euro.

Qualquer dia seremos todos como o pai da deusa, à procura de Europa sem a encontrar. 

publicado por Domingos Amaral às 12:15 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 30.06.15

A Europa é uma nave de loucos

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Ontem, num site americano, aparecia uma fotografia da ilha de Santorini, como a que aqui mostro, com a seguinte legenda: "Daqui a uns anos, Santorini continuará linda e grega e no mesmo local. E a União Europeia, ainda estará de pé?"

 

Raramente se viu semanas onde grassou tanta estupidez, tanta pesporrência e tanta inflexibilidade nas altas instâncias europeias, gregas ou internacionais.

Parecem todos loucos, como se não soubessem, nem quisessem saber, que têm nas suas mãos o futuro de milhões de pessoas. 

 

Ouve-se o que dizem, e não se acredita.

A sra Lagarde, por exemplo, depois dos sorrisinhos e do bater de pestanas de corça com que saudou a chegada do galã Varoufakis, perdeu a compostura, vá-se lá saber porquê, e com a ira das meninas despeitadas, exigiu "adultos na sala". E, de caminho, sabotou o referendo grego, dizendo que a proposta dos credores já não era válida...

O Sr. Schauble, guru dos germanófilos lusos, foi dos primeiros a apoiar publicamente um referendo na Grécia, há apenas duas semanas. Ainda se lembram?

Mas, mal o dito foi marcado pelos gregos, desatou a apoucar a ideia que antes suportou, e deu instruções ao seu povo para levar mais euros para as banhocas nas ilhas gregas, não fossem os multibancos dar o berro. 

 

A Sra Merkel, sempre impecável nos seus conjuntos multicolores, sobrevoa a Europa e diz que os gregos tiveram "ofertas extraordinariamente generosas", como se pedir a um povo que corte na despesa e suba impostos fosse generosidade!

Não passa pela ideia desta matrona que, depois de cinco anos de maravilhosa "generosidade" europeia, os gregos já citem o seu provérbio "quem já está molhado, não tem medo da chuva". 

 

Já o inquieto holandês de nome impronunciável, Djess qualquer coisa, com os seus óculos fora de moda, apanhou uma fúria a dirigir o Eurogrupo e expulsou da sala a delegação grega, um ato inqualificável numa união política. E, claro, foi mais um a tentar sabotar o referendo, decidindo terminar o programa de resgate logo ali.

 

Por cá, o senhor de Massamá (que se esqueceu de pagar a segurança social durante uns anos), dá lições de moral aos gregos, e o seu governo é eleito pelo Financial Times como o mais duro das negociações, e o que é pior, provavelmente ele sente orgulho nisso.

Uma miopia trágica, que mostra que Passos não entendeu o essencial: quanto mais dureza for pedida à Grécia, mais o caldo se entorna, e o próximo país que vai sentir a pressão é Portugal.

O sr. primeiro-ministro, na sua teimosa inconsciência, parece um porquinho feliz, a caminhar para o matadouro.

 

Obviamente, este desvario generalizado atinge também os gregos.

O governador do seu Banco Central, por exemplo, publicou semanas atrás um relatório onde falava numa "catástrofe iminente", fazendo uma claríssima chantagem sobre o seu próprio governo.

 

E Tsipras também não escapa ao delírio coletivo.

Numa sexta, regressado a Atenas, vociferava contra o FMI "criminoso" e anunciava "um rotundo não aos credores"; mas logo na segunda-feira seguinte apresentava medidas de austeridade e subidas de impostos, deixando em brasa a ala esquerda do Syriza.

Quando tudo parecia encaminhado para um acordo, regressou de novo à Grécia e anunciou, sem avisar os parceiros de negociação, que iria marcar um referendo!

Tsipras é um em Bruxelas e outro em Atenas, lembra um maridinho tonto, que muda de opinião de cada vez que chega a casa, ao ouvir os berrinhos histéricos da esposa.

 

Ainda esperei que alguns, mais calmos e de bom senso, conseguissem meter água nesta fervura. Mas também esses me decepcionaram. 

O pacholas do Juncker, que quer passar por bonzão mas é incapaz de meter a malta na ordem, choraminga as suas dores em público, e diz que os gregos têm de saber a verdade, insinuando que Tsipras é mentiroso.

Para presidente da Comissão Europeia, parece-me excessivo. Eu sei que a política europeia é florentina, e os gregos por vezes bizarros, mas convém não esquecer que a troika não aprovou quase nenhuma das propostas que a Grécia fez na segunda-feira...

Negociamos e negociamos, para no fim aprovar o que eu quero, é a ideia que se fica depois de escutar Juncker.

 

E nem vale a pena falar do fraquíssimo Hollande, um mero apêndice que por ali anda, e o verdadeiro exemplo de como os socialistas europeus se tornaram insignificantes a partir do momento em que aceitaram o princípio germânico da austeridade.

Em resumo: andam todos de cabeça perdida (admitindo que têm cabeça), frustrados e zangados uns com os outros, com a acrimónia típica de um casal desavindo que é incapaz de se entender sobre as divisões das finanças e até a custódia dos filhos.

 

Porém, a mim espanta-me mais a inflexibilidade europeia do que impetuosidade grega.

Será que ninguém, nem por um momento se lembrou que pedir a pobres para se sacrificarem mais uma vez é um excesso, é bullying económico?

Será que ninguém entende que, depois de cinco anos de profundos sacrifícios, pedir a um povo orgulhoso, como o grego, que se humilhe e sacrifique de novo, é uma receita para o desastre?

Será que ninguém compreende o temor do Sr. Obama, que é atirar a Grécia para os braços do maldoso Putin, criando um corredor de tragédias, que vai da Síria à Ucrânia?

 

Com a cegueira institucional que caracteriza as grandes burocracias internacionais, o FMI, a UE, o BCE, recusam-se, ao fim de cinco anos de crises infindáveis, a colocar uma questão essencial: e se estivermos errados? 

E se estes ajustamentos, dentro de uma união monetária, não forem a melhor forma de resolver o problema de excesso de dívida soberana?

Isto, que muitos e eminentes economistas vêm dizendo há anos, é dúvida que nem sequer passa pela cabeça das luminárias europeias, e por isso estamos onde estamos, à beira do precipício.

 

A velha moral do "paga o que deves", que enche a boca de tanto português indignado, não se pode aplicar à bruta aos países, pois como explicou há mais de cinquenta anos o economista Irving Fisher, lança as economias numa prisão.

"Quanto mais pagam, mais devem" é essa a terrível armadilha da dívida. Para pagar a dívida fazem austeridade, caem na recessão, e o rácio dívida/PIB em vez de descer, sobe.

A Grécia é o perfeito exemplo dessa perversa situação, depois de dois memorandos e um perdão parcial, a dívida continua a crescer porque o PIB continua a descer.

 

Mas esta inexorável e dura lei da macroeconomia nem por um momento faz hesitar os grandes moralistas cá do burgo, que falam dos gregos como antigamente se falava da escória e da ralé. Dá vontade de rir, ouvir certos portugueses a apelidar os gregos de preguiçosos, corruptos e outros mimos no género.

Quem oiça o que certos tugas dizem e escrevem, pode até admitir que estão a falar do Bangladesh ou do Burkina Faso. "Estado falhado", "não pagam impostos", "aldrabões nas contas", é maravilhosa a cascata de insultos com que os tugas brindam a Grécia. 

 

Poucos lá foram, e muito poucos conhecem a história da Grécia, mas ao virar de cada esquina em Portugal há um especialista em assuntos gregos, em bolhas e em "viver acima das suas possibilidades".

E se há alvo principal do desdém luso, ele é Varoufakis e a sua moto e mochila. Como se fosse uma heresia ele não chegar como os outros, de BMW de vidros fumados pago a peso de ouro por um qualquer Estado não falhado. 

 

Muitas afirmações se podem fazer sobre o Syriza, que é radical, de esquerda, etc, etc. Mas há pelo menos três coisas de que ninguém pode acusar o Syriza.

A primeira é sobre a dívida grega. Durante os últimos vinte anos, muitos governos erraram na Grécia, e na Europa inteira, mas a colossal dívida do país não é da responsabilidade do Syriza. Não foi ele que a criou, nem que a geriu tão mal.

O Syriza tem as mãos limpas de dívida e isso dá-lhe alguma legitimidade adicional.

 

A segunda é que ninguém pode alegar surpresa sobre as posições do Governo grego. Tsipras foi eleito pelo povo para acabar a austeridade, e o que deseja é cumprir.

Eu sei que, por essa Europa fora, nos desabituámos de políticos que desejam fazer o que prometeram. Principalmente em Portugal, depois de termos sido enganados pelas promessas de Durão, Sócrates ou Passos, que mal se viram no poder fizeram o contrário do que anunciaram em campanha.

Mas, lamentavelmente para os bem-pensantes, eis que surge na Europa um governo que quer cumprir o que prometeu aos eleitores, e logo lhe caem todos em cima, querendo obrigá-lo a torcer-se todo, em falsidades e colaboracionismos.

 

Por fim, há uma capacidade no Syrira que admiro, que é coragem. Quantos governos seriam capazes de bater o pé a forças tão poderosas? Quantos levariam até ao fim as suas ideias perante o tapete de bombas com que são fustigados?

Que exista finalmente um governo que não se verga às infames e falhadas troikas, devia ser motivo de espanto e admiração, e não de desprezo ou mesmo ódio.

 

É certo que a coragem syriziana é um bocado "kamikaze", mas esperemos por domingo para perceber se as bravatas retóricas de Tsipras convencem os gregos a votar no não. 

Se isso acontecer, e se até lá não houver um pingo de lucidez nos europeus, e eles não recuarem nas absurdas exigências que fazem à Grécia, a Europa começará esta semana a sua desintegração.

Merkel, Schauble, Lagarde, Hollande, Djesselbom, Passos, Rajoy, serão recordados para sempre como fanáticos da austeridade, e irão entrar na Histórica como a maravilhosa geração que começou a dar cabo do euro. 

 

Quanto a Tsipras, também dificilmente escapará. Se o sim vencer, morre como político.

Contudo, se o não ganhar, terá apenas uma vitória de Pirro (que por acaso era um rei grego). Vencerá a batalha contra os credores, mas lançará a Grécia num caos imprevisível, onde durante meses só haverá choro e ranger de dentes.

Ele diz que votar no não é aumentar o seu poder negocial, e diz bem. Porém, alguém acredita que a Europa vai fazer um "flick-flack" à retaguarda, e dar-lhe o que ele quer?

Seria excelente, mas é um sonho em que convém não acreditar muito.

Talvez Tsipras possa dizer, como disse Pirro depois da sua famosa batalha: "Mais uma vitória como esta, e estou perdido".

 

A única consolação que me resta no meio desta triste saga, é saber que, aconteça o que acontecer, a ilha de Santorini continuará no mesmo local, como há milhares de anos, linda e grega. 

Já quanto à União Europeia, não sei não, como dizem os brasileiros.

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Terça-feira, 16.06.15

"Assim Nasceu Portugal" dá a volta ao país!

Amanhã vou estar em mais duas lojas dos CTT para assinar os meus livros.

Às 11h, estarei em Montemor-o-Velho, para autografar exemplares do "Assim Nasceu Portugal".

À tarde, pelas 16h, estarei mais a norte, em Nelas, também para uma sessão com os leitores, na loja dos CTT local. 

Aqui deixo os convites para quem viva na região e quiser aparecer.

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Sexta-feira, 05.06.15

"Assim Nasceu Portugal": a tournée continua!

Hoje à noite, pelas 21.30, estarei na Biblioteca Municipal de Aveiro, para mais uma sessão de lançamento do livro, autógrafos e conversa com os leitores.

E amanhã, a partir das 16h, estarei outra vez na Feira do Livro de Lisboa, na Praça Leya, para mais uma ronda de assinaturas e dedicatórias.

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Quarta-feira, 03.06.15

"Assim Nasceu Portugal": o lançamento é amanhã!

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É já amanhã o lançamento do meu novo livro, "Assim Nasceu Portugal".

A partir das 21h, na Feira do Livro de Lisboa, na praça Leya, lá estarei para falar sobre esta história, na companhia de Marcelo Rebelo de Sousa, que irá apresentar o livro.

Todos os amigos e leitores que queiram por lá passar já sabem que serão bem recebidos. 

publicado por Domingos Amaral às 16:22 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Quarta-feira, 20.05.15

Sessões de autógrafos dos meus livros

No próximo mês, vou andar em "tournée", ou "on the road" para promover o meu novo livro, "Assim Nasceu Portugal"

Hoje, vou estar em duas sessões de autógrafos, ambas em lojas dos CTT, que tem sido um excelente apoio na promoção dos meus livros.

Às 14.30, vou estar na Loja dos CTT de Cabo Ruivo, na Avenida Marechal Gomes da Costa. 

E às 17h, vou estar na Loja dos CTT das Amoreiras, no centro comercial com o mesmo nome.

A quem quiser e puder passar passar por lá, terei todo o gosto de assinar os livros.

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publicado por Domingos Amaral às 10:46 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Terça-feira, 19.05.15

Um belo fim de semana no Zmar

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Não conhecia, mas fiquei a gostar muito do Zmar.

É um eco-resort na costa alentejana, perto do Cabo Sardão, onde passei um belo fim de semana com a Sofia e as minhas duas filhas mais novas, Leonor e Luz. 

O Zmar tem muito com que nos entreter. Além das villas e dos challets de madeira, bonitos e bem integrados na natureza, a cheirar ainda a pinho, há variados programas que podemos fazer.

Uma piscina de 100 metros, onde se pode nadar à vontade; e uma piscina com ondas, que faz as delícias das crianças, são apenas o ponto de partida.

Além disso, há um spa, ou mais concretamente um Zpa; há massagens e yoga; há tenis e padel; há hidroginástica e tiro com arco; há bicicletas e karts a pedais; há peddy paper, arvorismo e passeios de buggy.

Enfim, cercados por verdes paisagens, lagos e animais, é possível passar momentos muito agradáveis, e no final do dia ainda ter um belo jantar na tenda de chill-out.

Se não conhecem ainda, vale a pena meterem-se no carro, irem até à Zambujeira do Mar, e marcar uma estadia no Zmar.  

publicado por Domingos Amaral às 15:55 | link do post | comentar
Segunda-feira, 18.05.15

Jesus é o grande vencedor do ano

Este campeonato foi aquele em que o dedo do treinador mais se sentiu.

No início do ano, Jesus foi confrontado com uma debandada geral.

Em poucos meses, partiram Garay, Siqueira, Rodrigo, Cardozo, Markovic, Oblack, André Gomes, e pouco tempo depois, Enzo Pérez.

A sombra da falência do BES pairava sobre a Luz, e muitos diziam que o Benfica estava a perder pedalada. 

 

Entretanto, a Norte, o FC Porto reforçava-se como há muito não o fazia.

Quando o campeonato arrancou, não havia uma alma que não dissesse que os azuis tinham a melhor equipa.

Incluindo eu, que me costumo guiar pela regra da maior despesa salarial.

Quem gasta mais em salários, costuma ser campeão.

Foi isso que aconteceu nas últimas nove temporadas, e previ que o FC Porto era o principal favorito. 

 

Porém, este ano não foi isso que aconteceu.

Mesmo com um plantel com menos talento, mesmo com o grande investimento dos dragões, Jesus conseguiu equilibrar a equipa e levá-la ao bicampeonato.

É um feito enorme, que mostra que Jesus não é apenas bom treinador quando tem a melhor equipa, mas também consegue grandes obras quando une os jogadores num único propósito.

E, este ano, o objectivo era o bicampeonato, não era a Europa.

Por isso, quando saímos da Champions, pressenti que havia um caminho definido, e acreditei que o Benfica se ia concentrar e chegar à meta à frente.

 

É verdade que, em certos momentos, foi preciso ser pragmático, e não encantador.

Mas, os campeões são os que são melhores que os outros, e a maior parte das vezes não são equipas-maravilha.

Este Benfica foi melhor que os rivais, e por isso foi campeão.

Ainda ontem se viu a fragilidade de Lopetegui e dos seus jogadores.

Quem não consegue ganhar na Madeira ao Nacional, e no Restelo ao Belenenses, não se pode queixar.

 

Jesus teve a experiência e a calma para tudo aguentar: a perda de jogadores, o desencanto europeu, a eliminação da Taça de Portugal, a pressão sobre os árbitros, os insultos e as intrigas tolas de Lopetegui.

A tudo reagiu com serenidade, e nunca se desconcentrou.

Este ano, provou que está um grande treinador, e sobretudo, um grande homem.

Parabéns para ele.

 

Uma palavra final para alguns jogadores que se destacaram.

Júlio César, a calma imperial na baliza, acabou com as angústias lá atrás.

Talisca, pela primeira parte do campeonato, onde resolveu vários jogos.

Gaitan, pela magia que sempre dá ao jogo.

 

Mas, há dois que foram os meus heróis este ano.

Jonas, um espectáculo de técnica e inteligência, um goleador de grande qualidade que muito brilhou.

E, por fim, o patinho feio, um central de quem eu muito desconfiava e que me conquistou: Jardel.

Pela tranqulidade, pelo empenhamento, pela força mental e pela segurança.

 

Há poucos centrais que podem dizer que fizeram um campeonato inteiro e apenas levaram 3 amarelos (!), e ainda marcaram vários golos absolutamente essenciais, como o de Alvalade.

Para mim, Jardel foi o melhor central do campeonato, e o jogador que mais se valorizou.

Parabéns para ele, e para todos os outros também.   

publicado por Domingos Amaral às 12:28 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 12.05.15

O meu novo livro: "Assim Nasceu Portugal"

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É o meu novo livro, e a partir desta semana está à venda nas livrarias portuguesas.

Chama-se "Assim Nasceu Portugal", foi um livro que me deu um enorme prazer escrever, e cuja história atravessa a infância e a adolescência de um dos meus heróis, o nosso primeiro rei, Afonso Henriques.

 

Entre assassinos e princesas mouras, nobres galegos e rainhas leonesas, portucalenses de boa cepa que desejam a independência e misteriosas bruxas que vivem em cavernas, explicam-se as razões para a luta feroz entre Afonso Henriques e sua mãe, a condessa Dona Teresa.

 

Na Páscoa de 1126, em Viseu, o príncipe Afonso Henriques conhece uma bela rapariga galega, de seu nome Chamoa Gomes, por quem se apaixona perdidamente. Contudo, sua mãe, a condessa Dona Teresa, regente do Condado Portucalense, irá proibir aquele casamento, pois Fernão Peres de Trava, seu amante, não admite que o príncipe se enlace com sua sobrinha Chamoa.

 

A fúria de Afonso Henriques é imensa. Zangado com a mãe, arma-se a si próprio cavaleiro, na Catedral de Zamora e recusa prestar vassalagem ao novo rei de Leão, Castela e Galiza, o seu primo Afonso VII. 

Depois, começa a liderar os portucalenses de Entre Douro e Minho, entre os quais Egas Moniz e seu irmão Ermígio Moniz, que vivem revoltados com a influência do Trava e as decisões de Dona Teresa. 

 

Cresce a convulsão no Condado Portucalense e todos são arrastados por ela. Nobres e almocreves, amigos e conselheiros, mulheres e trovadores, pais e filhos, envolvem-se num conflito sangrento, que terminará com a inevitável batalha de São Mamede, em Guimarães. 

 

Durante esses anos turbulentos, instalam-se em Soure os templários, e o seu mestre, o velho cavaleiro Gondomar, procura uma relíquia sagrada que o pai de Afonso Henriques, o conde Henrique, trouxe um dia da Terra Santa, e cujo esconderijo só é conhecido por uma misteriosa bruxa.

 

Entretanto, em Coimbra, as princesas mouras Fátima e Zaida, e a sua mãe Zulmira, que estão prisioneiras dos cristãos, agitam-se com a notícia de que um famoso guerreiro sarraceno as virá resgatar, enquanto um assassino implacável as tenta matar, a mando do califa almorávida de Marraquexe, que teme que aquelas três mulheres ressuscitem o antigo califado de Córdova. 

 

 

publicado por Domingos Amaral às 11:31 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Quarta-feira, 22.04.15

As ideias do PS são bem boas

Ontem, um grupo de economistas socialistas apresentou várias propostas.

O PS, disse António Costa, quer virar a página da austeridade, fazer crescer o PIB e o emprego.

Pela minha parte, só posso aplaudir.

 

A austeridade bruta deste Governo foi desastrosa.

A destruição de valor a que assistimos nos últimos 4 anos foi tremenda.

O PIB português desceu muito, o desemprego cresceu, a miséria aumentou, a emigração explodiu, a natalidade caiu a pique.

Tudo coisas más.

 

O controle do deficit pela via do corte da despesa, pela quebra dos salários e pensões, provocou um choque recessivo violento, que fez muito mal à economia portuguesa.

E tudo isto para quê?

Para descer a taxa de juro da dívida pública.

E é verdade, a taxa desceu.

Porém, a dívida total do país cresceu muito.

Há quatro anos, era de 160 mil milhões de euros, hoje é de 230 mil milhões de euros. 

Estranho, não é?

 

Sinceramente, parece-me que havia outros caminhos, bem melhores, que não provocavam tanta destruição económica.

E é isso que o programa do PS vem dizer, e bem.

Se aumentarmos o rendimento dos portugueses, repondo os cortes salarias, as pensões, a despesa do Estado, damos um estímulo à economia.

E com esse crescimento económico aumentamos as receitas fiscais, e reduzimos o deficit, o desemprego e a miséria. 

 

Eu acredito que esse é o melhor caminho, bem melhor que o actual.

Até porque há uma coisa que o PS diz que me parece importante.

O PS não propõe uma descida forte do IRS.

Apenas ligeiras melhorias, daqui a um ou dois anos.

 

Ou seja, o que o PS nos está a dizer é que prefere um Estado mais forte, mas que o temos de pagar.

Infelizmente, este Governo deu-nos um Estado mais fraco, mas obrigou-nos a pagar impostos altíssimos.

Isso é que não faz sentido. 

 

O que tivemos com este Governo foi merda cara.

Ficámos com Estado que faz merda (na justiça, na educação, na saúde, na administração fiscal), e pagamos essa merda caríssima (impostos muito altos). 

Portanto, entre ter uma coisa boa e cara, e uma merda cara, eu prefiro a primeira opção.

 

 

 

 

 

 

publicado por Domingos Amaral às 11:47 | link do post | comentar | ver comentários (5)
 

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