Sexta-feira, 17.05.13

Novo livro já nas livrarias: "O Retrato da Mãe de Hitler"

Já chegou às livrarias o meu novo livro, com o título "O Retrato da Mãe de Hitler". É mais um romance, e uma continuação de "Enquanto Salazar Dormia", o meu livro que os leitores mais gostaram.

A história passa-se em Lisboa, durante o ano de 1945, logo após o final da 2ª Guerra Mundial na Europa, e é a narrativa da fuga dos nazis através de Portugal e da nossa capital, trazendo com eles muitos tesouros roubados.

Os principais personagens são os mesmos de "Enquanto Salazar Dormia": o narrador, Jack Gil, um luso-inglês que foi espião durante a guerra; e as mulheres por quem ele se apaixonou, Luisinha e Alice. 

No mesmo dia em que Hitler morreu, 30 de Abril de 1945, um coronel das SS chamado Manfred apodera-se de uns tesouros nazis valiosos, roubando um cofre em Munique, dentro do qual estão alguns bens pessoais do próprio Fuhrer, entre os quais uma pistola dourada e o retrato da mãe de Hitler.

Perseguido pelos judeus, Manfred acaba por chegar a Portugal, onde irá tentar vender o seu tesouro aos colecionadores de relíquias nazis.

Jack Gil Mascarenhas Deane já não trabalha para os serviços secretos ingleses e a chegada do seu pai a Lisboa vai alterar a sua vida. O pai é um colecionador de tesouros nazis, e vai obrigar Jack Gil a ajudá-lo na sua demanda pelos valiosos artefactos, que muitos nazis, como Manfred, tentam vender em Lisboa, antes de fugirem para a América do Sul.

Dividido entre o desejo de ajudar o pai e o desejo de partir de Lisboa, Jack Gil está também dividido nos seus amores, pois embora esteja apaixonado por Luisinha, uma portuguesa que adora cinema e acredita na democracia; está perturbado pelo regresso de Alice, o seu amor antigo, uma mulher duvidosa, misteriosa mas entusiasmante, que fora a sua paixão de uns anos antes, e que desaparecera certa noite da sua vida. 

Espero que os leitores gostem tanto deste livro como gostaram de "Enquanto Salazar Dormia". 

Domingos Amaral às 11:43 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 16.05.13

Benfica: o Príncipe Encantado vai chegar um dia!

Carta a Jorge Jesus

 

Caro Jorge Jesus, muitos parabéns pelo grande jogo que ontem o Benfica fez.

Muitos parabéns pela forma desassombrada, corajosa, intensa e vibrante como ontem o Benfica jogou. Assim, sim, assim o Benfica é grande, mesmo quando perde.

Ontem, talvez pela primeira vez em toda a minha vida, senti que Portugal inteiro se orgulhou do Benfica. Mesmo os nossos adversários, portistas e sportinguistas, admiraram o nosso fantástico jogo, e o nosso maravilhoso público em Amesterdão, e mesmo eles sentiram a crueldade que foi perder assim.

A derrota custa, custa muito, mas caro Jorge Jesus, não deixes que esta derrota ensombre o quanto fizeste este ano e a grande temporada que o Benfica fez. 

Jamais me vou esquecer de muitos momentos bons deste ano. Das vitórias em Leverkusen e Bordéus, da forma magnífica como jogámos em Nou Camp, Newcastle ou nesta final; das excelentes vitórias nacionais em campos tão difíceis como Alvalade, Braga, Madeira e Paços de Ferreira.

E, sobretudo, jamais me vou esquecer daquele que foi o melhor jogo da época que o Benfica fez, na Luz, contra o Fenerbahçe, na meia-final.

Além disso, também não me vou esquecer do que diziam da equipa no início do ano, quando tínhamos acabado de vender Witsel e Javi Garcia e não havia meio-campo, pois Aimar e Martins estavam fora de combate. Ou quando diziam que não tínhamos defesa, pois Luisão estava castigado para meses e supostamente não havia lateral esquerdo.

Ainda te lembras do que disseram de ti? Pois, meu caro Jesus, a ti se deve a grande construção desta equipa. A invenção de um meio-campo excelente, com Matic e Enzo Pérez; o nascimento de um jovem lateral chamado Melgarejo; a afirmação de um grande avançado chamado Lima; e ainda uma aposta em jovens portugueses, os dois Andrés.

Quem fez tudo isto em apenas um ano, e conseguiu tanta coisa boa e bonita para alegrar os nossos corações, não pode pensar em desistir só porque perdeu dois jogos nos descontos. 

Os grandes homens não são os que estão sempre no topo, lá no alto, mas sim aqueles que sabem que vão cair muitas vezes e que se vão tornar a levantar do chão muitas vezes mais, e recomeçar tudo outra vez. 

A história não acaba aqui, a vida não acaba hoje nem amanhã, e no Domingo ainda temos de lutar por um milagre. 

Sim, um dia vai acontecer um milagre ao Benfica. Ninguém sabe quando, mas um dia a famosa maldição de Bela Gutman também vai acabar. Ontem não foi esse dia, mas ele vai chegar.

Sabemos todos, desde crianças, que todas as maldições acabam com a chegada de um Príncipe Encantado. Quem sabe se um dia não serás tu?

Domingos Amaral às 10:08 | link do post | comentar | favorito (2)
Quarta-feira, 15.05.13

Angelina Jolie e a importância da mãe para uma mulher

Para uma mulher, o que aconteceu à sua mãe é sempre uma visão possível do seu próprio futuro.

Seja no amor, seja na família, seja na saúde, as filhas olham para as mães e pensam no que serão ou poderão ser.

Assim foi também com Angelina Jolie, uma das mais belas mulheres do mundo. A sua mãe sofreu uma doença terrível e morreu ainda nova, com 50 e tal anos.

Angelina assistiu a tudo e tudo viu, e foi esse exemplo que a marcou. A mãe não caçou o cancro a tempo e depois nunca mais o caçou.

Devia ser nisso que Angelina pensava, todos os dias desde esse dia em que a mãe morreu.

Uma mulher, qualquer mulher, pensa na sua mãe todos os dias, esteja ela viva ou morta, e Angelina, apesar de ser uma das mais belas mulheres do mundo, não é diferente das outras mulheres.

Ela tinha medo, medo que o que aconteceu à sua mãe se repetisse nela, medo que o mundo fosse igualmente cruel com ela como foi com a mãe, e provavelmente não suportava mais essa ideia.

Acredito que foi isso que a fez realizar uma operação preventiva para impedir que se passasse com ela o que se passara anos antes com a mãe.

As mulheres querem ser sempre como as mães, excepto na infelicidade, e Angelina sabia que ela tinha, ao contrário da mãe, a possibilidade de fintar o destino.

Foi isso que ela fez, evitar o destino da mãe, e com isso pensar no futuro das suas filhas, pois agora elas vão ter a sorte que Angelina não teve, de poder ter a mãe mais anos com elas. 

Deve ter sido uma decisão muito dura e muito complicada para uma mulher, mas grandiosa e de uma profunda humanidade, sacrificando a glória do presente em nome de um futuro mais tranquilo.

Angelina Jolie é uma das mais belas mulheres do mundo e tinha umas maminhas lindas, que infelizmente o mundo viu poucas vezes, pois ela só as mostrou em poucos filmes, especialmente antes de se tornar uma das mais bem pagas actrizes do mundo.

Agora, o mundo não mais verá esse peito lindo, mas Angelina tem a sorte de ter descoberto uma forma bonita de homenagear a sua mãe. 

É uma forma suprema de amor, de amor de mãe e de amor à mãe. 

Domingos Amaral às 13:34 | link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Terça-feira, 14.05.13

Europa: vem aí a repressão financeira! (E ainda bem!)

Ao contrário de quase toda a gente, eu não sou contra a medida europeia de obrigar os depositantes com mais de 100 mil euros a participarem no resgate ao seu banco.

Sim, admito que no contexto actual, é uma medida difícil, pois pode abalar ainda mais a confiança no sistema bancário europeu...

O que é que eu acabei de escrever? "Abalar a confiança no sistema bancário europeu"? Peço desculpa por ter escrito tal expressão, é esta mania de repetirmos o que ouvimos, também me assalta a mim.

Na verdade, não há qualquer razão para qualquer pessoa com dois dedos de testa ter confiança no sistema bancário europeu, e não há qualquer razão há muitos anos.

O sistema bancário europeu é um casino de abutres, gananciosos e especuladores, que viveram na mais absoluta e dissoluta libertinagem financeira durante mais de duas décadas, e é por isso que estamos onde estamos.

Nos últimos vinte anos, pelo menos, não deve ter havido banco nenhum na Europa que não fez os mais inenarráveis disparates, que não arriscou tudo o que podia e mais o que não podia, e que não tenha vivido na maior e mais vergonhosa irresponsabilidade.

Os bancos, os americanos mas também os europeus, foram os grandes culpados pela grave crise financeira de 2008, que está na origem da grave crise económica que ainda devasta a Europa.

Foram eles, com as suas "alavancagens diabólicas" e as suas mirabolantes teorias de risco, que geraram um monstro descontrolado, chamado dívida, pública e privada.

E claro, quando a merda finalmente bateu na ventoínha (desculpem o palavrão, mas a expressão ajusta-se bem a esta situação), os bancos caíram todos num buraco negro e levaram governos e economias a reboque. 

Porque devem ser os contribuintes, através da dívida pública, a pagar as dívidas e as loucuras dos bancos? Se um banco privado é mal gerido, porque é que devem ser os meus impostos a salvar o banco da falência?

Só em Portugal, por exemplo, a dívida pública cresceu mais de 14 mil milhões de euros só em empréstimos para "salvar os bancos", seja lá o que isso significa, quando no meio da barafunda se salva tanto o BPN (um caso de polícia), como o BPI (um banco com dificuldades pontuais), o BCP (um banco que foi ambicioso demais) a CGD (um banco político do Bloco Central), ou o Banif (um banco sem qualquer peso real no sistema). 

Portanto, tudo o que se faça para obrigar os accionistas e os credores dos bancos (sim, os depositantes são credores dos bancos) a meterem juízo na cabecinha dos administradores dos bancos, é bem feito.

E tudo o que se faça para evitar que seja o contribuinte a pagar a orgia dos bancos, também é bem feito.

Claro que isto "abala a confiança", mas sinceramente ainda bem. Aquilo que todos hoje devemos ser é "desconfiados" dos bancos. É a principal sequela da crise de 2008, uma saudável e vibrante desconfiança sobre os bancos é muito bem vinda.

É por isso que eu defendo estas medidas de "repressão financeira". Tal como existiu a "Tolerância Zero" nas estradas, devia também existir uma "Tolerância Zero" para os mercados financeiros, com limites de excesso de velocidade do crédito, e coisas assim.

Devia, por exemplo, ser proibido conceder crédito à habitação que fosse mais do que 50% do valor da casa a comprar, devia ser estabelecido um limite máximo para o endividamento das empresas, deviam ser proibidas a maioria das operações de "alavancagem" sem capitais próprios, etc, etc.

E devíamos mesmo ir mais longe. No estado em que a Europa está, deviam ser limitados os movimentos de capitais entre países.

Qual liberdade, qual carapuça! A liberdade total de movimentos de capitais deu no que deu, uma balbúrdia financeira sem rei nem roque. Se houvesse mais limites, talvez os "hedge funds", e os outros sinistros "funds" que por aí existem, tomassem juízo em vez de fazerem disparates.

Liberdade a mais levou-nos à anarquia geral financeira, portanto que venha a "repressão financeira". Eu por mim, assino por baixo.  

Domingos Amaral às 16:04 | link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Segunda-feira, 13.05.13

Afinal, Jesus não é Deus!

Afinal, Jesus não foi promovido a Deus, como todos os benfiquistas esperavam. Afinal, ele é humano, e também erra, e quando erra e perde, ajoelha, destroçado.

Infelizmente para os benfiquistas, Jesus não foi Deus, e não conseguiu vencer o medo de jogar no Dragão. Foi isso que nos derrotou, o medo. 

No futebol, há verdades antigas que se repetem mil vezes, e mil vezes se irão repetir ao longo da eternidade. Uma dessas verdades é: quem joga para empatar, perde. 

Custa muito mas é verdade, e vai ser sempre. Lembro-me que uma das vezes que mais admirei José Mourinho foi quando ele, treinador do Inter, teve de ir jogar fora, com o Chelsea, a segunda mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões.

Com a maior lata, apresentou-se em Stanford Bridge com 3 avançados, em pressão alta, e sempre ao ataque. É claro que ganhou, eliminou o Chelsea, e nesse ano ganharia a sua segunda Champions. O seu descaramento, o seu atrevimento, a sua coragem, deram-lhe a vitória.

Lá diz o provérbio que a sorte protege os audazes e foi isso que faltou ao meu Benfica na segunda parte. O Benfica não foi audaz, encolheu-se, encostou-se às cordas e no fim teve azar.

Ó Jesus, a meia hora do fim, tira-se um médio de ataque, Gaitan, e coloca-se um defesa, Roderick? E tira-se um extremo, Ola John, para meter um médio que não tem gáz para jogar linha, Aimar? 

Por muito que me custe, desta vez foi Vítor Pereira que foi audaz. Retirou um defesa, Danilo, e um médio, Lucho, para meter um avançado, Liedson e um extremo, a Catatua Negra da Nossa Infelicidade, o tal de Kelvin.

Agora, só um milagre nos salva e devolve ao Benfica um título que até merecia.

 

Domingos Amaral às 10:44 | link do post | comentar | ver comentários (8) | favorito
Sexta-feira, 10.05.13

A Europa e a Sra. Merkel deviam pagar os nossos subsídios de desemprego

Já é evidente para todos que a Europa se espetou ao comprido no combate à crise económica e financeira que a invadiu.

O desemprego europeu é avassalador, há cinco países a serem resgatados (Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Chipre) e as más notícias não param.

Quase cinco anos depois do início da Grande Crise Financeira de 2008, são por demais evidentes os graves erros cometidos pelos europeus, na resposta àquela que era apenas uma crise financeira e bancária, entre 2008 e meados de 2010.

O primeiro erro foi precisamente esse: os europeus não compreenderam que uma crise financeira devia ser resolvida com medidas financeiras, e não com a economia. Ao obrigarem as economias a sofrer, os europeus transformaram uma crise financeira grave numa crise económica gravíssima.

Em 2009, bastaria o Banco Central Europeu ter dito o que disse três anos mais tarde, em 2012 - que faria o que fosse preciso para "salvar o euro" - e as coisas teriam sido bem mais fáceis para todos.

Contudo, os europeus preferiram um caminho diferente. Liderada pela Alemanha, a Europa decidiu dar sermões e pregar moralidade e aplicar "um castigo" aos países com dívidas excessivas.

O ajustamento teria de ser feito exclusivamente pelos "devedores", esses irresponsáveis que viveram "acima das suas possibilidades"! Esta moralidade durona, típica de Merkel e Schauble, esquecia uma verdade essencial: para existirem devedores "irresponsáveis" também têm de existir credores "irresponsáveis", e os ajustamentos devem ser feitos por ambos, e não apenas pelos "devedores".

Mas, a fúria punitiva e castigadora dos alemães levou a vitória, e os programas de ajustamento aplicaram-se somente aos devedores. E à bruta. As "troikas" dedicaram-se à violência e à rapidez. A austeridade tinha de ser depressa e muita, para funcionar.

Vários anos depois, os resultados desta "Cruzada Austeritária" estão à vista de todos: desemprego brutal, recessão económica profunda nos países intervencionados, e recessão económica geral no resto da Europa.

É claro que, em certos casos, como o de Portugal, os efeitos nefastos foram amplificados por um Governo mais "troikista" do que a própria "troika", e agora ninguém vê forma de Portugal sair deste buraco negro. Mas, a culpa principal é da Europa, e não nossa.

É por todas estas razões que faz cada vez mais sentido a proposta de ser a Europa a pagar os subsídios de desemprego dos países que estão sob intervenção. Se a política europeia foi um erro de proporções gigantescas, o fardo das consequências devia ser suportado sobretudo pela Europa, e não pelos países.

Uma importante parte do desemprego criado em Portugal, na Grécia, na Irlanda, em Chipre e até em Espanha ou Itália, resulta directamente das erradíssimas políticas que os alemães nos impuseram a todos. Ora, porque não mandar-lhes a conta?

Era assim que devia ser. Merkel impôs uma política brutal, essa política falhou e gerou um desemprego brutal, pois então que seja a causadora disto tudo a suportar o preço, pagando os nossos subsídios de desemprego. Talvez assim a senhora aprendesse...

   

Domingos Amaral às 16:28 | link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
Quinta-feira, 09.05.13

As 2 finais que o Benfica tem de vencer

Estes são os dias mais importantes do ano para o Benfica. Entre sábado e quarta, o meu clube vai jogar duas grandes finais.

A de quarta, já o sabemos, é em Amesterdão contra o Chelsea. A de sábado, não menos importante, é no Dragão, contra o FC Porto.

É de uma final que se trata, e é assim que o jogo com os azuis e brancos deve ser visto. Na verdade, descontando o facto de não existirem penalties, podemos dizer que quem vencer esta final é campeão, e no caso de empate haverá um prolongamento a jogar na semana seguinte.

Tanto para o Benfica como para o FC Porto, vencer esta Final do Campeonato (assim mesmo, com maiúsculas) é absolutamente essencial. Tal como nas finais de outras competições, quem ganhar é mesmo o vencedor final, ninguém tenha dúvidas disso.

No caso do Benfica, é campeão matemático, mas no caso do FC Porto vencer, também estará encontrado o campeão, pois ninguém acredita que o FC Porto, com um ponto de avanço, não consiga vencer em Paços de Ferreira.

Eu prefiro assim, uma final para vencer, em que as duas equipas têm de arriscar tudo por tudo.

Ao contrário da maioria dos benfiquista, que preferia ir ao Dragão com 4 pontos de avanço para "poder perder", a mim essa sensação enervava-me. Enervava-me que os benfiquista já dessem como certa a vitória do FC Porto, enervava-me essa falta de ambição implícita no "poder perder".

O empate com o Estoril tornou as coisas mais difíceis, mas foi bastante bom para manter a concentração ao máximo. No Benfica, não podem existir esses pensamentos de "poder perder". Agora, o Benfica tem de "ganhar".

Ainda bem que Jorge Jesus está com confiança e quer sair do Dragão campeão. Não há qualquer razão para pensar diferente. Aliás, o FC Porto também pensa assim.

Será, tenho a a certeza, um dos mais inesquecíveis e fantásticos jogos dos últimos anos, com duas equipas a quererem ganhar e a jogar ao ataque! No fundo, uma grande final, como todos merecemos!

Domingos Amaral às 10:18 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 08.05.13

Voltar aos mercados é mesmo bom?

O regresso de Portugal aos "mercados", com uma emissão de dívida pública a 10 anos, foi ontem festejado com grande alegria e fanfarra, não só pelo Governo, mas também por vários financeiros da nossa praça. 

É um avanço "espectacular" disseram alguns, e prova que o país está no bom caminho, não só para se safar de vez da "troika", como para iniciar a recuperação financeira.

Mas, será que é mesmo assim? Há três perguntas a que devemos responder perante o que se passou ontem. 

A primeira pergunta é: a dívida pública portuguesa ontem aumentou, ou diminuiu? Resposta: ontem Portugal endividou-se em mais 3 mil milhões de euros.

Ou seja, a nossa divída pública, que rondava os 220 e tal mil milhões de euros, a partir de ontem aproximou-se dos 230 mil milhões de euros. E nem vale a pena falar no deprimente rácio da dívida sobre o PIB, que ontem deu mais um pulito.

É claro que me vão dizer que a nova dívida é para pagar dívida antiga, e é verdade, mas não deixa de ser mais dívida. Para quem quer baixar o endividamento do país...

A segunda pergunta é: e a taxa de juro que vamos pagar a estes credores é boa? Segundo informação oficial, a taxa de juro será de 5,669%, o que não sendo muito alto, também não é baixo. Comparando com o que conseguiríamos com um segundo resgate da "troika", é pior.

Ou seja, Portugal ontem endividou-se perante credores internacionais, e não perante os seus aliados europeus, a uma taxa superior àquela que pagaria por um segundo resgate!

Bem sei que pedir um segundo resgate à Europa seria uma humilhação, mas é um bocado desagradável esta sensação de que, para recuperarmos a nossa honra financeira nos mercados, temos de pagar uma pipa de massa adicional em juros!

Por fim, a terceira pergunta: será que o risco de futuras subidas de taxas de juro aumentou ou diminuiu, com este regresso aos mercados? Não é preciso pensar muito tempo para perceber que o risco aumentou.

Ao abrigo de um resgate da "troika", temos pelo menos a garantia que as taxas de juro não vão disparar até à estratoesfera só porque os mercados entram em pânico catatónico à primeira má notícia! Mas, ao voltar aos "mercados", esse risco volta a existir.

É certo que é menor, a cortesia do Banco Central Europeu fez baixar o risco na zona euro. Mas, quem nos garante que, daqui a uns tempos, as taxas não desatam a subir outra vez, com medo da Eslovénia ou da Itália, ou de outro qualquer problema?

Portanto, e em resumo: ao regressar aos mercados, Portugal aumentou a sua dívida pública em 3 mil milhões de euros, vai pagar uma taxa mais alta, e aumentou o risco de futuros dissabores.

É evidente que este é o preço a pagar por um certo regresso à "normalidade financeira", mas não é fácil de ver em que é que a nossa capacidade para pagar as dívidas aumentou. 

Portugal pode estar a recuperar a "confiança dos mercados", mas será que os mercados são de confiança para nos colocarmos de novo nas mãos deles? 

Domingos Amaral às 11:28 | link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Terça-feira, 07.05.13

A estranha ligação entre os juros da dívida e o Tribunal Constitucional

Aqui há um mês, quando o Tribunal Constitucional vetou algumas das decisões do Governo para 2013, caiu o Carmo e a Trindade.

Que era uma ditadura do TC, que era inadmissível que o Governo não pudesse governar, que a imagem de Portugal ia ficar em risco, sei lá que mais.

Passos Coelho, numa comunicação televisiva ao país, chegou a culpar o TC por um eventual segundo resgate, alegando que a sacrossanta credibilidade de Portugal estava em causa, e que os mercados iam de novo desconfiar de nós. Ainda se lembram disto?

Pois, passado um mês, o que aconteceu às taxas de juro da dívida portuguesa, de curto, médio ou longo prazo? Seria de esperar que subissem! Mas, bem pelo contrário, desceram e muito! 

Em que ficamos? Os mercados são malucos? Então um Tribunal Constitucional abre um rombo de 1,3 mil milhões de euros no orçamento e os mercados acham bem? Então e o melodrama que Passos Coelho fez, o que é que lhe aconteceu? 

A relação entre as políticas orçamentais e os juros da dívida pública parece um bocado esquizofrénica. Quando há decisões de austeridade, a gente espera que as taxas desçam, e as sacanas sobem! E quando há decisões anti-austeridade, a gente espera que as taxas subam, e as sacanitas descem! É preciso descaramento! 

Querem exemplos concretos? Nos últimos três orçamentos austeritários de Estado - 2011, 2012, 2013 - na mesma semana em que Portugal aprovava no seu parlamento esses orçamentos, as taxas de juro da dívida em vez de descerem, como deveria ser, pois o país estava a provar que ia fazer cortes, subiram!

E agora isto: o TC abre um buraco orçamental, e as taxas em vez de subirem, desconfiando das capacidades do país de cumprir as suas metas, toca de desatarem a descer. Mas os mercados acham que somos a Alemanha, ou piraram de vez?

Na verdade, tudo não passa de um enorme equívoco. No caso de países pequenos, como Portugal, as taxas de juro da dívida pouco têm a ver com a actuação dos respectivos Governos. Façam eles mal ou bem, as taxas não lhes ligam patavina. Só querem saber o que faz o Banco Central Europeu, o resto é conversa.

O mundo da alta finança, e bem, dá muito mais importância ao senhor Draghi, do que ao errático Vítor Gaspar.   

Domingos Amaral às 11:08 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 06.05.13

Gaspar e a Quimioterapia Fiscal

Ao ouvir o Governo nos últimos dias, uma pergunta continua a bailar no meu espírito? Porque perderam dois anos a encharcar a economia com aumentos de impostos?

Sim, quando o Governo chegou, não podia ter começado logo a aprovar medidas como as que agora quer implementar, cortando na despesa do Estado, nas despesas de funcionamento dos ministérios, e coisas assim?

Porque não alterou as regras dos funcionários públicos, porque não propôs programas de rescisão amigável, porque não equalizou as benesses entre trabalhadores públicos e privados? 

Sim, porque é que em vez de ir fundo na reforma, o Governo se entreteve a massacrar os portugueses com impostos e mais impostos, e a fazer ilegalidades inconstitucionais, como sejam a retirada de subsídios a uns e não a outros?

Gaspar, em dois anos, atirou para cima dos portugueses uma verdadeira Quimioterapia Fiscal, em vez de ter feito o que devia, que era cortar a despesa do Estado. Porquê?

Agora, que já estamos todos afocinhados numa violenta recessão, arriscamo-nos ainda a criar mais recessão com estas medidas. Agora, o quadro é muito mais negro do que era há dois anos.

A Quimioterapia Fiscal de Gaspar, como aqui tantas vezes escrevi, não foi apenas errada, foi totalmente inútil. 

Domingos Amaral às 14:50 | link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito

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