Terça-feira, 26.04.16

Entrevista na TSF: eu, o meu pai e Afonso Henriques

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Na passada semana, fui à TSF, ao programa "Uma Questão de ADN", na companhia do meu pai, Diogo Freitas do Amaral, para falarmos sobre Afonso Henriques.

O pretexto foi o meu novo livro, "Assim Nasceu Portugal - A Vitória do Imperador" e a entrevista aos dois foi conduzida, e muito bem, pela jornalista Teresa Dias Mendes, que foi colocando perguntas a ambos durante mais de uma hora.

Além de falarmos do meu romance mais recente, falámos também sobre a biografia que o meu pai escreveu sobre Afonso Henriques há já dez anos, e claro, um pouco da vida política dele e o quanto ela influenciou a minha.

Foi um momento de que ambos gostámos, e se algum leitor quiser ouvir, pode ir ao site da TSF e clicar no link que aqui deixo: 

http://www.tsf.pt/programa/uma-questao-de-adn/emissao/freitasdo-amaral-e-domingos-amaral-5137486.html

publicado por Domingos Amaral às 17:35 | link do post | comentar
Quarta-feira, 20.04.16

"Assim Nasceu Portugal - A Vitória do Imperador": à venda nos CTT e com anúncio na televisão!

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O meu novo livro está à venda nas livrarias mas também em todas as lojas dos CTT espalhadas pelo país.

Além disso, já há também um anúncio que passará em breve nas televisões portuguesas, e que pode ver aqui

 

O livro chama-se "Assim Nasceu Portugal - A Vitória do Imperador", e é o segundo volume da trilogia sobre a vida de Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal. 

 

Passado entre 1130 e 1140, descreve uma década de fortes lutas que os portucalenses têm de travar, contra o Imperador Afonso VI, rei de Leão e Castela, primo direito de Afonso Henriques, mas também contra os mouros, nomeadamente a famosa batalha de Ourique, onde se dá um milagre que abençoa as tropas portucalenses. 

 

Além disso, é igualmente a continuação da atribulada história de amor vivida por Afonso Henriques e Chamoa Gomes, a sua grande paixão, que era sobrinha de um dos maiores inimigos do príncipe de Portugal, Fernão Peres de Trava.

 

 

 

 

 

publicado por Domingos Amaral às 10:55 | link do post | comentar
Quinta-feira, 14.04.16

Quer ouvir o 1º capítulo de "Assim Nasceu Portugal - A Vitória do Imperador"?

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Se ainda não comprou o meu novo livro, mas quer ouvir o primeiro capítulo de "Assim Nasceu Portugal - A Vitória do Imperador", tem aqui a possibilidade de o fazer.

É muito fácil, basta clicar neste link, "Assim Nasceu Portugal - A Vitória do Imperador", fazer o download e depois ouvir o início da história, narrada pelo próprio autor.

 

Neste segundo livro da trilogia dedicada à vida de Afonso Henriques, continua o seu romance tórrido com a bela Chamoa Gomes, grande paixão do príncipe de Portugal.

Mas este é um amor atribulado e cheio de peripécias e, logo no primeiro capítulo, um inesperado acontecimento vai perturbar perigosamente a relação entre os dois.

 

"Assim Nasceu Portugal - A Vitória do Imperador" já está à venda nas livrarias e é o segundo volume da trilogia, que se iniciou com "Assim Nasceu Portugal - Por Amor a Uma Mulher".

Neste segundo livro, que vai desde 1130 até 1140, os portucalenses vão ter de lutar ferozmente pelo nascimento de um novo reino, de um Portugal já independente.

 

Na fronteira norte do Condado Portucalense, no Minho e na Galiza, as tropas de Afonso Henriques terão de batalhar contra as forças do seu primo direito, Afonso VII, o Imperador dos Cinco Reinos, rei de Leão, Castela, Galiza, Navarra e Aragão.

 

E, na fronteira sul, as lutas serão igualmente tremendas contra os muçulmanos, seja em Leiria ou Tomar, seja na famosa batalha de Ourique, onde um milagre acontece, abençoando os portucalenses, que aclamam finalmente Afonso Henriques como rei! 

 

É essa a história deste segundo volume, a luta pela independência de um povo e de um príncipe que não se submetem, mas também a história dos amores e desamores de Afonso Henriques, e é isso que começamos também a perceber logo desde o primeiro capítulo, que aqui pode ouvir. 

publicado por Domingos Amaral às 12:02 | link do post | comentar
Terça-feira, 12.04.16

Já nas livrarias: "Assim Nasceu Portugal - A Vitória do Imperador"

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A partir de hoje, o meu novo livro já está à venda nas livrarias. Chama-se "Assim Nasceu Portugal - A Vitória do Imperador", e é o segundo volume da trilogia sobre a vida de Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal. 

 

Passado entre 1130 e 1140, descreve uma década de fortes lutas que os portucalenses têm de travar, contra o Imperador Afonso VI, rei de Leão e Castela, mas também contra os mouros. 

Além disso, é também a continuação da atribulada história de amor vivida por Afonso Henriques e Chamoa Gomes, a sua grande paixão, que era sobrinha de um dos maiores inimigos do príncipe de Portugal, Fernão Peres de Trava.

 

A história começa em Guimarães, onde depois de se reconciliar com Afonso Henriques, uma aterrada Chamoa Gomes descobre que está grávida de outro homem, o que enfurece o príncipe de Portugal, que a expulsa do castelo.

O atribulado romance entre ambos vai viver uma nova provação, dolorosa e duradoura, mas o amor nunca se extinguirá ao longo de mais de uma década onde as guerras são permanentes em duas frentes.

 

Na fronteira sul do Condado Portucalense, enquanto os templários procuram a sagrada relíquia da Terra Santa, os muçulmanos vão lançar violentos ataques e os cristãos vão recusar a proposta pacificadora da princesa Zaida, que deseja casar-se com Afonso Henriques para unir a Andaluzia ao novo reino de Portugal. 

Numa convulsão sangrenta, Leiria e Tomar são destruídas pelo emir de Córdova, o príncipe Ismar, e a luta contra este atingirá o seu auge na famosa batalha de Ourique, onde um milagre divino abençoa os portucalenses, que aclamam Afonso Henriques como o seu rei.

 

Entretanto e na fronteira norte, acima do rio Minho, há muito que prossegue a bélica e vingativa campanha do nobre galego Fernão Peres de Trava, repleta de tortuosos estratagemas e combates intensos, travados em Celmes, Tui e Cerneja e liderados pelo próprio rei de Leão e Castela, Afonso VII. 

O poderoso e sagaz primo direito de Afonso Henriques, além de se coroar Imperador da Hispânia, tudo faz para derrotar o príncipe de Portugal, incluindo tentar seduzir a bela Chamoa...

  

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Segunda-feira, 14.03.16

Furminator, a descoberta do ano!

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Quem vive com um Labrador em casa, sabe o que sofre, pois não há cão que deite mais pêlo.

O meu é negro, o que só piora as coisas, e a minha casa enche-se de pêlos escuros, que se espalham na sala, no corredor, na cozinha, até no interior dos armários.

 

O combate permanente contra o pêlo era intenso lá por casa, mas até há pouco tempo, extremamente inglório.

Por mais que nós aspirássemos o chão e escovássemos o Benji, os pêlos multiplicavam-se e caíamos derrotados no sofá, implorando pela salvação contra o maldito pêlo.  

 

Foi então que a Sofia fez uma descoberta única na net: a Furminator.

Tem um cabo pequeno e um pente muito duro e fino, parecido com aqueles com que tiramos os piolhos às crianças e faz juz ao nome.

 

Na verdade, a Furminator é um verdadeiro Terminator de pêlos. Cinco minutos a escovar o Benji e não só deitamos no lixo pêlo suficiente para encher uma almofada grande, como desaparecem praticamente os vestígios de filamentos negros da casa.

 

Eu diria que a Furminator abate 99% dos pêlos, é uma verdadeira exterminadora implacável dos meus problemas domésticos. Finalmente, vive-se melhor lá em casa, abençoada Furminator! 

 

Quem quiser conhecer melhor, aqui fica o link:

http://www.furminator.com/Products/Dogs/dog-grooming-combs-rakes/dog-grooming-rake.aspx

publicado por Domingos Amaral às 12:12 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sexta-feira, 11.03.16

O regresso de OJ Simpson

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 Enquanto espero ansiosamente pela sexta temporada da série que mais me fascina, "A Guerra dos Tronos", acabei por ficar caçado por outra, que passa na FOX.

Chamada "The People vs OJ Simpson: American Crime Story", é o recordar da grande saga criminal que envolveu o mediático OJ Simpson, negro, ex-jogador de futebol americano e actor.

 

Como é sabido, a sua ex-mulher Nicole e um amigo apareceram assassinados brutalmente à porta da casa dela, e OJ foi logo o principal suspeito, devido aos antecedentes violentos com a mulher.

Talvez por causa disso, fugiu no próprio dia em que tinha de se apresentar na polícia para ser detido, e a sua fuga foi televisionada em toda a América, que seguiu espantada a viagem do famoso Bronco branco onde ia OJ.

 

No entanto e apesar das desconfianças óbvias, a questão racial começou logo a aparecer. A polícia de Los Angeles tinha um péssimo registo, um ano antes haviam acontecido os famosos riots na cidade, e as acusações de que OJ foram "tramado" por polícias brancos e racistas foram imediatas.

A elas se agarraram a defesa jurídica de OJ, um "dream team" de advogados caríssimos, que se tornariam célebres pela forma como destruíram o caso da acusação.

 

Tudo isto a série recorda e podemos dizer que o trabalho de reconstituição é notável, bem como a apresentação do ambiente perigoso que se vivia em LA nesses anos, um caldeirão de racismos mútuos preocupantes e emocionais.

Mas, como em qualquer série de televisão, são os actores e as personagens que nos seduzem e esta série não seria a mesma sem cinco deles.

 

Cuba Gooding Jr vem à cabeça, a sua interpretação de OJ Simpson é notável, mas para mim o melhor mesmo é John Travolta, que interpreta o advogado Robert Shapiro.

Também Courtney B. Vance faz um grande papel, como outro dos advogados, o especialista em casos racistas, Johnnie Cochran. E David Schwimmer, que nos habituámos mais a ver em comédias, vai muito bem como o melhor amigo de OJ, Robert Kardashian.

Por fim, destaque para Sarah Paulson, que faz de procuradora do Ministério Público, Marcia Clark, e que está estupenda, seja na caracterização, seja na interpretação.

 

publicado por Domingos Amaral às 12:25 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quarta-feira, 09.03.16

Elena Ferrante, a mulher de Nápoles que escreve muito bem

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Nas últimas semanas, tenho-me dedicado a ler Elena Ferrante, o novo fenómeno mundial da literatura.

Sabe-se pouco sobre ela, nunca apareceu, não há fotografias, mas sabe-se que é mulher, italiana, napolitana. E o que é mais importante, sabe-se que escreve muito bem.

 

Naturalmente, comecei pelo primeiro da tetralogia, "A Amiga Genial", e gostei muito.

É a história de mulheres pobres, que nasceram num bairro pobre de Nápoles. Duas amigas conhecem-se meninas, vão crescendo, com pais, amigos, os primeiros namoricos. Parece simples, mas não é.

 

Ferrante é magistral a descrever Nápoles mas também a descrever a amizade, os medos, as excitações de duas amigas. São livros sobre isso, a amizade das mulheres, no que ela tem de espantoso, cúmplice, diabólico, emocional.

Mas também é um livro, ou são vários, sobre Itália, sobre Nápoles, sobre os anos 50, 60 e seguintes, sobre os movimentos de esquerda, mas também sobre a Camorra ou o desenvolvimento económico.

 

Um dos mais impressionantes traços é a violência física napolitana. Os homens batem nos outros homens, batem nas mulheres, batem nos filhos e nas filhas, mas as mulheres também batem nos homens, nos pais, nas mães, nos filhos, nas filhas, nos amigos e nas amigas. Ferrante é implacável e sentimos cada murro como um coice.

 

É claro que, quando passamos ao segundo volume, "História do Novo Nome", percebemos que também estamos perante uma história de mobilidade social, de uma mulher pobre que vai subindo na vida devido aos estudos e à literatura, enquanto os amigos e amigas ficam para trás.

 

E sim, também é uma história sobre sexo, os primeiros namoros, os abusos, a dificuldade de ter prazer quando se trabalha até à exaustão em fábricas, charcutarias e sapatarias, e não há tempo para coisas boas.  

 

Elena Ferrante merece o sucesso que está a ter, pois escreve maravilhosamente e embala-nos nas suas frases bonitas e afiadas. É literatura para mulheres? Talvez, mas é boa literatura para mulheres e por isso vale a pena ler. 

 

O meu único problema é que, ao chegar ao terceiro livro, "História de Quem Vai e de Quem Fica", há uma sensação de perda de entusiasmo, o enredo já não nos empolga tanto como nos dois livros iniciais.

Mas vou terminar a tetralogia, pois quem escreve tão bem merece isso. 

publicado por Domingos Amaral às 13:27 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Segunda-feira, 07.03.16

O elogio de Rui Vitória, com a música da Mariza!

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É preciso perder

Para depois se ganhar

E mesmo sem ver

Acreditar!

 

No sábado, quando vi Rui Vitória a festejar em Alvalade, foi neste lindíssimo refrão que a Mariza canta que pensei.

A música "Melhor de Mim" é sublime, mas a mim o que me emocionou foi o quanto ela se aplica a Rui Vitória e ao Benfica deste ano. Oiçam-na e sintam.

A letra começa por falar numa "semente que dorme na terra", que "amanhã nascerá uma flor" (os meninos da formação que ele lançou?).

Depois, a Marisa canta "Ainda que a esperança da luz seja escassa" e eu arrepio-me a pensar no meu estádio, parece escrito a pensar nele, mas é a quarta estrofe que verdadeiramente me arrebata. 

 

"Também eu estou, à espera de mim, algo me diz que a tormenta passará".

Rui Vitória estava à espera de si próprio, desde o início do ano, e caiu-lhe uma tormenta colossal em cima. 

O início da época benfiquista foi doloroso, tantos erros foram cometidos e em Outubro já eram muitos os que não acreditavam. Eu próprio estava descrente.

Mas, se a alguém se deve o levantar do chão do Benfica, é a Rui Vitória. Ele nunca se deprimiu com as duras derrotas do início, nunca baixou os braços, nunca desistiu e nunca foi rude, grosseiro ou mal educado, mesmo quando o tentaram enxovalhar. Algo lhe dizia que a tormenta passaria.

 

"É preciso perder, para depois se ganhar, e mesmo sem ver, acreditar" canta a Mariza com a sua espantosa voz e eu sinto no meu coração que esta frase foi escrita para Rui Vitória.

É preciso ter a força tranquila que ele tem, a capacidade de saber perder, para depois se ganhar.

E é preciso acreditar, mesmo sem ver, e Rui Vitória acreditou sempre, mesmo quando todos nós rangíamos os dentes de raiva e desanimávamos.

 

"É a vida que segue, e não espera pela gente, cada passo que damos em frente, caminhando sem medo de errar".

Extraordinárias semelhanças...Foi assim em Agosto, perdida a Supertaça; em Outubro, quando perdemos em casa com o Sporting; em Novembro, quando saímos da Taça de Portugal. 

E Rui Vitória sempre a caminhar, "sem medo de errar". A lançar os meninos, o Nelson, o Gonçalo, o Renato, o Lindelof, o Ederson...

 

A Mariza continua e canta "creio que a noite, sempre se tornará dia, e o brilho que o sol irradia, há-de sempre me iluminar".  

E eu recordo as vitórias a começarem, Madrid a orgulhar-nos, o Natal a chegar com golos e mais golos nas balizas adversárias e por fim, no sábado, vai Mitroglu e toma lá para dentro!

 

"É preciso perder, para depois se ganhar, e mesmo sem ver, acreditar", canta a Mariza e eu pergunto ao meu coração, será que foi mesmo preciso perder? Será que é esse o segredo dos grandes, aqueles que percebem que é nas tormentas que se forjam as vitórias?

De repente, culpo-me e sinto que falhei. Sim, é verdade, em certos momentos deixei de acreditar. Mas a minha sorte foi ter Rui Vitória aos comandos, um senhor competente e sereno, uma força tranquila.

A ele, desde o princípio, algo que lhe dizia que "a tormenta passará", como canta a Mariza. E não é que passou mesmo? A tormenta já era, agora o Benfica está no primeiro lugar.

 

Por fim, oiço a Mariza cantar "sei que o melhor de mim está para chegar" e penso mais uma vez em Rui Vitória. O melhor dele ainda está para chegar, essa é que é essa.

No entanto, o exemplo dele, de força mental, de boa educação e de competência, já nos enche de orgulho.

Acabe esta época como acabar, a grande figura do Benfica este ano é Rui Vitória. Aqui lhe deixo os meus parabéns e que continue a ser como é.

 

Quem quiser ouvir e ver a música da Mariza, aqui vai o link

https://www.youtube.com/watch?v=2UDZH_Htpq8

publicado por Domingos Amaral às 12:24 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Segunda-feira, 16.11.15

O Médio Oriente é uma esquizofrenia geral, mas criminosos são criminosos

Logo após os atentados de Paris, muitos foram os que não tiveram dúvidas.

A culpa disto tudo é de George W. Bush e da intervenção no Iraque, que lançou a região no caos.

Se fosse tão fácil de explicar, seria simples, mas não é.

Se há coisa que não falta no Médio Oriente são culpados, existem para todos os gostos.

 

Quem começou tudo? Foi o Xá da Pérsia ou o Khomeni? Foi o Saddam ou o Ben Laden? Foi o Bush ou o Arafat? Foi Israel ou o Assad?

Não há maneira de encontrar um rasto de lógica em quase nada, no Médio Oriente. 

A balbúrdia dura há seculos e ninguém tem as mãos limpas.

A esquerda adora culpar a América e Israel, e ninguém no seu juízo perfeito pode contestar que ambos têm muitas culpas. Porém, não são os únicos.  

 

A culpa é de Bush? Sim, mas também é da Al-Qaeda e dos iraquianos, dos xiitas e dos sunitas, do Irão e da Rússia, de Assad e das milícias sírias em revolta.

Culpados são os curdos e a Turquia, os mujahedins e os taliban, os egípcios e os líbios, os israelitas e os palestinianos, o Qatar e a Arábia Saudita, a França e a Inglaterra, o Hamas e o Hezbolhah, e por aí fora.

Arranjem-me um país inocente na região, uma potência local que tenha as mãos limpas, um grande país mundial que nunca lá tenha metido o bedelho!

 

Se há coisa certa no Médio Oriente é que aquilo é uma esquizofrenia absoluta, onde os amigos de hoje são os inimigos de amanhã e onde todos já apoiaram, de uma forma ou de outra, as matanças cíclicas da região.

Quem queira culpar uns mais que os outros, pode ficar a sentir-se muito bem, mas não acrescenta nada.

 

Desta vez há porém algo novo: o Estado Islâmico, ou ISIS, ou Daesh, ou lá como se chama a coisa, tem características especiais de selvajaria e não tem comparação fácil.

As atrocidades que esse movimento tem cometido no Iraque e na Síria são inimagináveis.

Ainda a semana passada ouviram-se notícias do fuzilamento de centenas de crianças, a sangue-frio.

O nível de brutalidade deste movimento é único e infelizmente é por isso que ele se tornou tão forte e tão popular entre os seguidores.

 

Para nós, europeus e ocidentais, é difícil de compreender que existam pessoas que sonham com o califado, que adoram cortar cabeças e matar gente, e que desejam destruir a civilização ocidental.

Mas elas existem e passeiam-se nas ruas de Paris de Kalashnikov aos tiros.

Estão dispostos a tudo, são criminosos treinados para matar e não vão parar.

 

É essencial que a Europa perceba que está perante um movimento bárbaro, que junta o regresso à violência medieval com as novas tecnologias e armas do século XXI.

Perante tal ferocidade, não podemos continuar a fazer de conta que os terroristas podem circular livremente, entrar e sair pelas fronteiras europeias e nada lhes acontece.

 

Se há coisa que me causa perplexidade é essa: como é que a Europa permite que voltem a entrar pelas suas fronteiras homens que vão à Síria, ao Iraque, ao Iemen, à Líbia, fazerem cursos de pós-graduação em terrorismo?

A complacência e a tolerância com estes selvagens tem de acabar.

Se perseguimos pedófilos, traficantes e serial killers, porque é que deixamos a porta aberta para terroristas? 

São criminosos e é como criminosos que têm de ser tratados.

 

O resto é conversa.

A culpa do Bush, a vaga de refugiados, a má integração dos imigrantes, a guerra da Argélia, a crise económica da Europa, os bairros da periferia de Paris, é tudo muito interessante para nos entretermos em longos debates, mas não muda o essencial.

Crime é crime, assassinos são assassinos, e são eles que têm de ser combatidos e impedidos.

 

publicado por Domingos Amaral às 11:24 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 10.11.15

Ainda se lembram do "que se lixem as eleições" de Passos Coelho?

Com a sua célebre frase "Que se lixem as eleições", Passos pretendia demonstrar que o interesse nacional estava acima dos seus cálculos eleitorais.

Contudo, se fosse um político com mais experiência, que Passos não tinha quando chegou ao Governo, ele teria farejado o perigo.

 

As políticas económicas e financeiras de um Governo, sejam elas quais forem, têm sempre consequências políticas.

Uma coisa é a economia teórica, outra a economia política.

 

Durante quatro anos, Passos desprezou tais consequências, enquanto aplicava com crença a sua "austeridade expansionista". 

É falso ele vir dizer agora que "a austeridade era uma necessidade e não uma escolha ideológica".

A austeridade violenta que Passos aplicou foi uma escolha dele e de Vítor Gaspar, a que a "troika" deu a benção.

 

Muitos, desde 2011, vinham avisando a direita de que dureza a mais seria contraproducente. 

Mas Passos insistiu. Cortou dois subsídios, em vez de um. Cortou várias vezes as pensões, em vez de só uma.

Tentou alterar a TSU, em vez de não ir por aí. E insistiu num aumento brutal de impostos, quando poderia ter feito um aumento bem menor.

 

Bem sei que a austeridade é fácil de explicar ao povo. 

Gasta-se a mais, é preciso cortar despesa. Há pouca receita, é preciso subir impostos. Toda a gente percebe.

Porém, ser fácil de explicar não significa que não tenha consequências políticas, e elas estão à vista de todos.

 

Também noutros países da zona euro, a direita que aplicou a austeridade foi afastada do poder.

Em França, perdeu Sarkozy e venceu Hollande. Em Itália, perdeu Berlusconi e venceu Renzi. Na Grécia, perdeu Samaras e venceu Tsipras.

E, mesmo na Alemanha, Merkel foi obrigada a governar com o SPD, aceitando medidas de esquerda, como a subida do salário mínimo.

 

Por cá, não surpreende pois que a coligação PSD/PP tenha perdido a maioria absoluta.

A austeridade retirou a Passos e Portas cerca de 750 mil votos.

O país saiu do resgate, mas o preço político pago pela coligação foi bem alto.

 

Mais relevante ainda, a austeridade mudou a prática política nacional.

Quatro anos de dureza levaram ao impensável: a união das esquerdas em Portugal.

A cola que une o PS, o PCP e o Bloco é apenas a rejeição total de Passos e Portas.

 

Surpresa? Só para quem anda distraído. Na zona euro, nos últimos anos é a esquerda que tem vencido.

Não somos originais, e ou muito me engano ou algo semelhante se passará em Espanha, nas eleições de Dezembro.

 

Quando a direita despreza as consquências políticas da sua governação, o resultado só podia ser este.

Que se lixem as eleições? Pelos vistos e para já, quem se lixou foram Passos e Portas...

publicado por Domingos Amaral às 10:21 | link do post | comentar | ver comentários (11)
 

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